Empresa revela protótipo de jato supersônico comercial

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O XB-1 da Boom Supersonic iniciará voos de teste em 2021.

Empresa revela protótipo de jato supersônico comercial
Foto: (reprodução/internet)

Boom Supersonic, uma empresa de aviação, revelou hoje (07) um protótipo em escala real de um jato de passageiros supersônico que pretende ser o Concorde de próxima geração.

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O protótipo XB-1 não irá voar até 2021, mas Boom revelou o protótipo a um grupo de executivos de aviação e aeroespacial no Aeroporto Centennial, em Denver.

Com 21 metros de comprimento, o XB-1 é uma versão reduzida do modelo completo de produção que Boom espera concluir e disponibilizar viagens para os passageiros até 2029. O protótipo só tem espaço para o piloto, enquanto que a versão pronta para uso comercial acabará por acomodar até 44 passageiros.

A Boom pretende começar a testar o XB-1 no próximo ano. Espera-se que o protótipo alcance velocidades de Mach 1.3, graças a seus três motores J85-15, que são fabricados pela General Electric, principalmente para aeronaves militares.

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A Boom está um pouco atrasada. A empresa revelou pela primeira vez a apresentação do XB-1 em 2016, quando prometeu iniciar os testes de voo até 2017, na esperança de transportar passageiros reais em 2020. Mas agora, essa linha do tempo foi retrocedida quase uma década.

Aviões supersônicos comerciais

Se todos os resultados forem bons com o XB-1, Boom então voltará sua atenção para seu primeiro avião comercial, o Overture. Esse avião terá 60 metros de comprimento, transportará entre 65 e 88 passageiros e voará o dobro da velocidade do jato comercial médio. 

A partida do avião afirma que seus jatos supersônicos poderão eventualmente viajar de Nova York a Londres – normalmente um voo de 7 horas – em apenas 3,5 horas, ou de Los Angeles a Sydney – normalmente uma viagem de 15 horas – em 6 horas e 45 minutos. 

Os bilhetes custarão US$ 5.000  ( Cerca de R$27.974) por assento.

Os desafios das empresas de aviação

Mas a Boom terá muitos obstáculos a superar antes de chegar lá. Não há um jato comercial supersônico em operação desde que a Concorde, construída pela empresa aeroespacial francesa Aérospatiale e British Aircraft Corporation, foi aposentada após 27 anos de serviço em 2003. 

Diversos fatores aconteceram com o Concorde, incluindo a única queda do avião em 2000, quando o Airbus, o sucessor da Aérospatiale, acabaram decidindo interromper a manutenção da aeronave. O Concorde era também gastava muito combustível, além de dar muito prejuízo para a Airbus.

Boom também está testando novas tecnologias que poderiam abafar o boom sônico que ocorre quando um avião supersônico quebra a barreira do som. Estas explosões levaram o Congresso a proibir os jatos supersônicos de sobrevoar o solo dos EUA em 1973. 

Mas, em outubro de 2018, o Presidente Trump assinou um projeto de lei instruindo a Administração Federal de Aviação a considerar o levantamento da proibição, dando nova vida à indústria.

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Boom capitalizou este interesse renovado em viagens supersônicas, arrecadando US$ 160 milhões em fundos e encomendas da Virgin Group (que também está trabalhando em seu próprio jato supersônico) e da Japan Airlines

Em julho, a empresa disse que estava se unindo à Rolls-Royce para projetar os motores de Overture.

E alguns meses depois, Boom assinou um contrato com a Força Aérea dos EUA para explorar o projeto de um jato supersônico para “transporte executivo da Força Aérea” – o que poderia implicar que um futuro presidente dos EUA poderia estar voando em um jato supersônico.

Jatos supersônicos ao redor do mundo

Boom não é a única entidade interessada em viagens supersônicas. A NASA está planejando testar um protótipo do X-59 QueSST sobre as principais cidades dos EUA em 2023. 

Algumas outras startups, como a Aerion e a Spike Aerospace, estão projetando aviões que cortariam longos voos pela metade. Além de vender seus motores para Boom, a GE também está projetando um novo motor a jato de passageiros supersônico para Aerion.

Mas grupos ambientalistas estão preocupados que estes aviões mais velozes liberem mais carbono poluente para o meio ambiente. 

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A indústria global de aviação produz cerca de 2% de todas as emissões de CO2 induzidas pelo homem, mas sabe-se que os jatos supersônicos são muito mais poluentes.

 Boom diz que será neutro em carbono como meta, mas de forma simples, é preciso mais combustível para ir mais rápido.

Traduzido e adaptado por equipe Revolução.etc.br

Fontes: The Verge, Vox

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