Top 7 paradigmas de um projeto para web

Desde que eu comecei a trabalhar passei por vários ciclos que enfatizavam características diferentes do desenvolvimento para a web e sempre baseadas na necessidade profissional e não necessariamente no ideal de paradigmas que podem compor uma excelente estratégia de desenvolvimento. Ficou complicado? Me deixe dar mais detalhes disso.

No passado eu vi a fase do desenvolvimento com “Flash” crescer, e na época todos diziam que “Flash é o futuro”. Graças á Deus HTML + CSS não morreram por causa disso. Encontramos também por ai o foco exclusivo no design lindo e impecável, ainda que feito 100% em Flash (olha ele de novo) ou sem nenhuma preocupação com usabilidade por exemplo. Mais recentemente vimos o boom do “AJAX” e todo mundo começou a chamar qualquer firula em javascript de AJAX (mesmo que fosse apenas “javascript”) e os que sabiam (ou sabem) implementar começaram a colocar AJAX nos piores lugares onde não deveriam, obstruindo os mecanismos de busca e matando a simples funcionalidade de poder ter um permalink para uma determinada página. Quais então seriam os paradigmas perfeitos que deveriam estar presentes em um projeto para web?

Matutando um pouquinho sobre os paradigmas xingling que encontramos por aí, eu consegui fazer uma lista de alguns deles:

Top 6 paradigmas que devem ser jogados no lixo!

  • Foco em Flash: Eu acredito que Flash é a melhor solução de desenvolvimento para a maioria dos casos. Sou expert em ActionScript e não perco tempo desenvolvendo sites em HTML se posso criar belas interfaces em Flash. Mesmo que seja sites com conteúdos dinâmicos, mesmo que seja e-commerce e mesmo que não seja um hotsite, qualquer tipo de site pode ser desenvolvido em Flash. Problema: Sites em Flash não permitem diferenciar relevância entre os elementos (como um HTML semântico permite) mesmo que seu conteúdo possa ser indexado, nada ali conseguirá ser mais relevante do que um H1 no HTML. Sem falar nos problemas de acessibilidade e em alguns casos, ausência de links permanentes para determinados conteúdos. Flash tem seu espaço mas ele não substitui o HTML.
  • Foco em AJAX: A crença de que o refresh da página é maligno e que o usuário deve navegar em um site inteiro sem trocar a URL. Se ele quiser copiar a url de um artigo para enviar pra um amigo ele não poderá fazê-lo por que não existe permalink no site porque todo o conteúdo dele vem por AJAX. E afinal porque diabos alguém iria querem uma página fixa de determinado conteúdo sendo que ele pode navegar em um site inteiro sem dar refresh? Problema: AJAX se mal utilizado obstrui os mecanismos de busca. Essa dica é mais do que suficiente para você sacar onde não deve utilizar certo?
  • Foco na ferramenta: Pela interface do DreamWeaver eu consigo fazer um site lindo e muito mais rápido. Tenho todos meus projetos nele e é ele que gera todo o HTML do meu site, incluindo a maioria dos javascripts que eu utilizo. Problema: Por mais que ferramentas como o DreamWeaver e outras ferramentas WYSYWIG tem melhorado muito a forma com que geram o código de HTML, elas não são eficientes quando se pensa em otimização de mecanismos de buscas por exemplo. Se quiser isso terá que fazer na mão!
  • Foco na web 2.0: Tudo o que nós fazemos aqui está relacionado com a web 2.0 porque a web 2.0 é o futuro da web (por isso a chamam de web 2.0) e aquelas pessoas que não migrarem para a web 2.0 não estarão presentes no futuro que é a web 2.0. Todos os sites que desenvolvemos aqui, por mais simples que sejam tem que ter tags, conteúdo colaborativo, AJAX e tudo mais que leva o sobrenome de web 2.0 por que nós somos a agência do futuro web 2.0, nós estamos nas revistas nacionais de web 2.0 e mesmo que os projetos fiquem mais caros nós levamos nossos clientes para estarem na web 2.0. Eu já disse que web 2.0 é o futuro? Problema: Não tente pegar o site do padeiro da esquina, tornar o projeto mais caro colocando tudo aquilo que você leu na revista, se o usuário só quer entrar ali para fazer pedido de pão! Nem tudo que você for fazer tem que ter tags, conteúdo colaborativo, AJAX etc. Web 2.0 não é “como” todos pensam.
  • Foco na beleza do design: Sou um web designer reconhecido e premiado pela capacidade que eu tenho de fazer uma linda interface e impecável, harmonia nas cores de tal forma que é impossível alguém que visite um site meu não fique babando pela beleza do meu trabalho. Os bons designers deveriam se preocupar somente com a beleza do trabalho final e eu não deixo com que qualquer tipo de padronização, seja em código ou em padrões de usabilidade castre minha criatividade. Problema: Web sites não são feitos para terem sua beleza contemplada e sim para que usuários encontrem o que querem em um ambiente harmônico e bonito. Se não pensar nisso você vai criar algo lindo e ordinário. E padrões existem para facilitar a vida das pessoas e não para castrar a criatividade.
  • Foco na produtividade: Não desenvolvemos com padrões web por que o custo de treinar profissionais e mudar a forma com que nós desenvolvemos web sites há 10 anos afetaria tremendamente o nosso atual padrão de produtividade que é bastante satisfatório. Problema: Esse cara não faz a mínima idéia do que é obter produtividade desenvolvendo com padrões web. E ele acredita que a produtividade da empresa dele deve estar acima da qualidade final do produto que ele desenvolve. Em um futuro próximo se ele continuar pensando assim, ele vai abrir uma lanchonete perto da sua casa e será mais eficaz e feliz profissionalmente.

É bem provável que apareça alguém aqui e que ainda possa contribuir com essa lista de paradigmas comuns que existem por ai. Be my guest! Mas me deixe mostrar um outro lado.

Uma visão do todo!

Em todos os casos levantados acima eu vejo problemas de paradigmas sérios. A “especialização” é uma característica que veio junto com a revolução industrial e é muito comum encontrar exímios profissionais que sabem cada vez mais sobre determinado campo e cada vez menos sobre outras coisas. O problema disso é que nem todas as soluções decentes de desenvolvimento cabem no seu colo e naquilo em que você “acredita” ser especialista. Porque se realmente fosse, não faria aquele site de conteúdo inteiro em Flash ou todo em AJAX!

A lição que tiro disso é que “ter uma visão do todo é muito importante para as partes” e não são as partes que dão significado ao todo. Gestalt aplicada no desenvolvimento? Bom, isso é outra história. Especializar-se é muito bom, é necessário, mas desde que você tenha em mente os diferentes paradigmas e abordagens que podem fazem parte do processo de desenvolvimento COMO UM TODO. Existem vários outros paradigmas que podem alterar completamente o foco do desenvolvimento de um projeto para web. Mas ter em mente alguns paradigmas e tentar enxergar as soluções com eles em conjunto, será mais eficaz do que focar somente em uma solução xingling. Veja uma lista dos 7 paradigmas que eu considero mais eficazes e que devem ser vistos como uma abordagem conjunta:

Top 7 paradigmas de um projeto para web!

  • Usabilidade para o usuário: É muito importante entender como as pessoas no nosso início de século XXI se comportam na internet, como elas navegam, fazem compras e se comunicam. Se você pensa que o resultado final do seu trabalho é para que as pessoas consigam encontrar aquilo que precisam e que elas devem encontrar isso de forma rápida e fácil, você vai já está pensando em usabilidade. Se este princípio fizer parte do seu projeto, da elaboração até implementação, o usuário agradece!
  • Acessibilidade: Acessibilidade implica em não ter barreiras para os mais diversos tipos de usuários. Implementar acessibilidade em web sites é mais fácil do que a maioria das pessoas pensam e os benefícios disso estão além de serem exclusivamente focados em usuários com deficiência visual. Se você souber que mecanismos de busca navegam no site “lendo apenas o código” (e não vendo) você vai entender quais os benefícios de se desenvolver com este paradigma em mente.
  • Conteúdo enxuto: Se você é responsável de alguma forma pelo conteúdo do site, preze por tê-lo de forma clara e simples. Utilize técnicas como a da pirâmide invertida para começar. São poucas as pessoas que scrolam uma página grande até o final, ninguém está interessado em ler no “About da sua empresa” o que você fazia quando era criança e nem ler aquele texto longo e chato. Aliás, ninguém contrata uma empresa por que gostou do “About” dela. Acredite. Você vai conseguir ser muito mais eficiente sendo claro e conciso, e não prolixo!
  • Otimização de mecanismos de buscas (SEO): A maioria dos usuários hoje começa uma navegação através de um mecanismo de busca. O que essa afirmação altera na forma com que você desenvolve sites hoje? Este paradigma tem sido muito explorado e é uma carta na manga para determinados projetos. Se você conseguir fidelizar usuários que chegaram até o seu site vindos de mecanismos de busca e conseguir mensurar o impacto que isso tem na receita do seu web site, você agiria como o gnomo que encontrou um baú cheio de ouro e logo o escondeu. Não culpo aqueles que não tem a experiência de conseguir enxergar isso na prática em algum projeto, mas pensar em otimização de mecanismos de buscas é um conselho que eu te dou.
  • Web Standards: Desenvolver um web site seguindo os padrões web tem “n” vantagens. A grande importância está na otimização do código, facilidade e simplicidade na implementação, extrema facilidade de manutenção e de quebra você ganha um site otimizado para mecanismos de buscas, e se for esperto, ganha também um site com acessibilidade. Mesmo que eu tenha separado “acessibilidade” e “SEO” como paradigmas diferentes, ambas só podem ser obtidas e estão intimamente relacionadas com os web standards.
  • A beleza do design: Aqueles que interpretam o trabalho de um web designer como o processo de encontrar um equilíbrio entre forma e função são uns felizardos! Pra mim design está intimamente relacionado em criar interfaces fáceis e intuitivas e sem barreiras para os usuários. Navegar em uma interface agradável, bonita e que não agride os olhos de quem está navegando em uma sala sem iluminação etc, não é uma tarefa fácil. Mas o design deve ser guiado como uma abordagem em conjunto com as outras dessa lista e não como um paradigma superior sobre os outros.
  • Marketing: Alguns talvez vão dizer que o marketing deve ficar exclusivamente na mão de profissionais focados nesta área. Eu não estou defendendo que designers devem se especializar nisso e sim que eles devem sempre procurar compreender o nicho para o qual ele está criando e desenvolvendo um web site. É o conhecimento do negócio do seu cliente que fará com que você seja eficiente em comunicar ao cliente dele aquilo que ele precisa. Uma abordagem que contemple um conhecimento do usuário e público alvo mais as necessidades do seu cliente em comunicar o produto dele de forma eficiente é igual a “excelente solução de marketing”!

Algumas considerações

Por mais que eu coloquei os itens acima em uma ordem, meu conselho é que você os trate como um só conjunto de paradigmas que você deve focar! Todos em conjunto. Nenhum dos itens dessa lista competem entre si e nenhum deles se auto excluem, pelo contrário. Se um projeto para web que consegue lidar com todos estes paradigmas em conjunto ele está a caminho do sucesso. E com certeza existem outros paradigmas que não contemplei aqui, alguma dica?