Simplicidade no design: Navalha de Occam (Ockham's Razor)

Ilustração do perfil de Guilherme de Occam Você com certeza já ouviu falar da Navalha de Occam, mesmo que velada em algum pensamento de buteco. E com certeza você já se deparou com algum design de produto/objeto que levou em conta este princípio. E você não precisa nem ter sido leitor voraz de filosofia para entender esta idéia que foi racionalizada pelo filósofo William de Occam. É simples, eu prometo.

William de Occam (também conhecido como Guilherme de Occam ou com o sobrenome inglês “Ockham”) foi um monge franciscano que nasceu em Londres em 1285 e morreu em Munique na Alemanha em 1347, vítima da peste negra. Occam, junto com Duns Scot (1265 – 1308) e Tomás de Aquino (1225 – 1274) formam 3 dos grandes pensadores medievais escolásticos. Ou seja, para quem não se lembra, os caras racionalizaram o que puderam a fé aproximando-a da razão. Occam questionou o poder temporal da igreja, foi considerado herege pelo papa João XXII, escreveu sobre lógica, física e teologia e é considerado o precursor do empirismo inglês.

A Navalha de Occam (do inglês “Ockham’s Razor”) (leia sobre a navalha de Occam na wikipedia) é um principio que diz que a explicação mais simples é a melhor, ou seja, se há várias explicações igualmente válidas para um fato, devemos escolher a solução mais simples. Nos textos de Occam ainda encontramos os trechos: pluralidades não devem ser postas sem necessidade e as entidades não devem ser multiplicadas além do necessário. Esta teoria é usada em métodos científicos (dentre outras disciplinas), ela recebeu oposição de vários pensadores como Leibniz e Kant e foi usada e aplicada de várias formas ao longo da história, como por exemplo, na escolha da teoria do eletromagnetismo de Einstein no lugar da teoria do éter luminoso. Manter as coisas simples é o lema. Idéia genialmente apropriada para um franciscano!

Foto de um violoncelo de design minimalista desenhado pela Yamaha No design, este princípio reflete a idéia de que elementos desnecessários reduzem a eficiência do design de um objeto. Elementos desnecessários ao design tem o potencial de falhar ou criar problemas, escrevem Lidwell, Holder e Butler no livro “Universal Principles of design” sobre a navalha de Occam. Este princípio é aplicado, por exemplo, no design de um violoncelo minimalista da Yamaha (Yamaha Silent Cello) , onde somente as partes que são usadas como apoio ou que são tocadas em algum momento pelo instrumentista foram mantidas, e todo o restante foi retirado. Forma, função e beleza em um belo instrumento musical.

Podemos notar este princípio presente também no Google, que mantém a página de busca simples para buscas (que é o objetivo) e conseqüentemente mais eficiente. Nunca vi ninguém reclamar que pop-ups ficam brotando do Google ou que banners atrapalham suas buscas. Isso não significa que todo web site deve ser branco com um campo no meio. Tudo vai depender da quantidade de informação que você precisa organizar e do objetivo do seu site. Mas sites que focam em uma única tarefa devem considerar a navalha de Occam com certeza. E se você pensa em desenvolver para dispositivos móveis, considerando o contexto de uso e espaço de tela, simplicidade deve ser a lei.

A navalha de Occam é também o fundamento de uma metodologia de desenvolvimento de software conhecida como KISS, Keep It Simple, Stupid ou em português “mantenha isso simples, estúpido”. Se parar pra pensar, quando estiver de frente de um documento de (X)HTML ou CSS, escolha o caminho mais simples! E ai, achou a idéia simples?