Quem mal lê, mal se comunica!

Não sei ao certo dizer por que as pessoas de modo geral se expressam na escrita de forma medíocre ou por qual motivo não conseguem se comunicar escrevendo de forma clara. Poderíamos dar razões históricas e sociológicos, poderíamos falar da relação entre opressor e oprimido, sobre diferenças econômicas, etc. Poderíamos colocar a culpa no Bush ou no Lula, ou na televisão. Poderíamos falar também que a ansiedade por tanta informação no mundo digital que mal digerimos diariamente assassina nosso tempo e nos faz mais estúpidos no geral. Em suma, muitos profissionais da web escrevem e expressam instruções muito mal.

Recebo uma centena de e-mails diariamente, seja do trabalho, do meu site ou de clientes. Muitos deles contêm instruções do que deve ser feito ou de anseios que determinada tarefa deve saciar. A maioria deles é mal escrito, incompleto, não dá detalhes necessários e não comunica aquilo que deveria comunicar. E o pior, é que eu me considero neurótico em relação a comunicação. Fico “desesperado” quando recebo um e-mail mal escrito, mal elaborado, que não comunica o que deveria e que trata-se de uma tarefa que eu tenho que cumprir. Um texto que poderia comunicar uma tarefa simples de ser realizada acaba gerando a necessidade de uma ligação telefônica para tentar “interpretar” e me entender com o autor do e-mail o que ele queria dizer. Tempo desperdiçado; o meu e o dele.

Eu já recomendei aqui anteriormente o livro Ansiedade da Informação 2 de Wurman (por favor, leiam todos) que fala da necessidade e da importância de comunicar instruções de forma decente. Todo mundo que comunica instruções de alguma forma (sinal de fumaça, e-mail, pombo correio, código morse, relatórios, etc) deveria ler! Seja profissional de tecnologia ou não. Dentro de uma empresa, os maiores problemas que poderão acontecer nos projetos têm origem na má comunicação, seja verbal ou escrita. Isso é característico, na minha opinião, de pessoas que não possuem o hábito de leitura ou que odeiam ler. Quem mal lê, mal se comunica. O pior da má comunicação no ambiente corporativo não é o relacionamento com aquele cliente que não compreende as minúcias técnicas da sua função (isso é obrigação sua) e sim as limitações do seu colega de trabalho.

E os comentários no seus artigos daquelas pessoas que você tem certeza que não leu o seu texto inteiro mas ainda assim quer adivinhar o que você escreveu pelo título e chutar um comentário esperando que ele seja genial!? E os analfabetos funcionais que são aqueles que “decodificam” o idioma materno mas que não conseguem usar as palavras certas na provável ordem que poderiam ter? Não é a quantidade de informação que me deixa mais ansioso, é o caos da informação mal formatada e mal comunicada que me enlouquece.

Pessoas que não lêem e que não estão acostumadas a escrever, não aprenderam a pensar metodicamente, não sabem organizar idéias, logo, não sabem redigir um texto que comunique uma idéia com clareza. Se eu trabalhasse em RH, o primeiro teste na primeira entrevista para cargos de TI que eu faria, seria pedir 3 redações distintas. A primeira deveria ser sobre o último livro não técnico que você leu. Serve qualquer um, até livro infantil. Só não pode ser sobre tecnologia. A segunda redação seria de 5 páginas sobre qualquer assunto, menos tecnologia. A terceira redação seria sobre o que você gosta na sua profissão. Simples assim. Acredito que isso seja mais que suficiente pra perceber se alguém sabe ler, escrever, interpretar e organizar idéias metodicamente ou se a pessoa é um completo analfabeto funcional. Só depois deste primeiro teste é que seria justo com todos uma avaliação técnica. Acredito que muuuuuiiiiiita gente não terminaria a primeira redação!