Precisa de ajuda? Faça me sorrir

Estava conversando com uma galera muito interessante pelo Skype dias atrás, o Leo Faoro e Ricardo Bicalho do Meio Bit e o Cardoso do Contraditorium, sobre várias coisas e dentre elas sobre uma ideologia que parece tomar conta dos brasileiros quando o assunto trata-se de valorizar o trabalho intelectual alheio. Dentre os diferentes tipos de estímulos e respostas existentes entre quem escreve para a web uma que tem grande importância é a publicidade, ou os famosos “ads” e as diferentes possibilidades de um site se manter no ar financeiramente. E vira e mexe alguém ataca esta idéia de uma jeito ou de outro.

Uma das formas que nós humanos percebemos o mundo e nos relacionamos com ele, é através da fórmula estímulo/resposta formulada por Skinner. Somos todos condicionados em muitos aspectos da vida. Não fique encanado com isso e não pense que condicionamento é coisa de camundongo de laboratório. Muitas vezes aquilo que nós nos envolvemos está relacionado com um estímulo que recebemos, e o sucesso que isso pode ou não acarretar pode estar relacionado com a quantidade e o tipo de estimulo que recebemos. Há vários tipos de estímulos que me mantem escrevendo aqui e um desses em especial pra mim é a quantidade de pessoas incríveis que eu conheci de outros blogs, pessoas que foram parar no meu Skype e Messenger e que aprendi a apreciar os seus trabalhos e que também apreciam o meu. Outro grande estímulo que um blog pode ter é o feedback do seu próprio público. Esse retorno, esse feedback, essa “resposta”, vem de várias maneiras e uma delas é o retorno financeiro que um site pode trazer.

Muitos imaginam que compartilhar “coisas” de graça na web deve ter uma glória moral maior do que a necessidade de sustento pessoal, de colocar comida no prato e maior do que trazer o pão nosso de cada dia para casa. Algumas pessoas defendem que até o trabalho intelectual deve ser “open source”, deve ser livre. Por isso que obviamente quem sustenta essa opinião, nunca deve ter trabalhado na vida e deve ser sustentado pelos pais, naturalmente. Essa deve ser a única explicação para alguém pensar assim. E recentemente algumas críticas surgiram nos blogs quase que como um levante contra os sites que vinculam publicidades em seus conteúdos. Qual a razão dessa indignação?

Nessa história eu me pergunto que diferença faz um escritor ganhar alguns trocados com publicidade e em que isso atrapalha na qualidade do que você lê aqui no meu site ou em qualquer outro?

Aproveitar o tráfego gerado pelo seu site para tentar tirar alguma renda, aumenta muito mais probabilidade do conteúdo melhorar proporcionalmente ao retorno financeiro que ele traz (lembra de Skinner?) do que um site que não traz nenhum retorno. Alguém ainda discorda disso? Se eu resolver colocar um banner no meio do meu artigo isso faz do meu site um prostituto? Quem acha um site “imoral” não precisa mais voltar e nem precisa se dar ao constrangimento de avisar o escritor disso. Em primeiro lugar se um site tem um tráfego interessante, de alguma maneira ele já deve ter algum valor social. Caso contrário o tráfego seria inexistente. As pessoas que escrevem sobre tecnologia (pelo menos as pessoas sérias e que levem seus sites a sério), se esforçam intelectualmente para compreender e aperfeiçoar em suas áreas, para amadurecer seu próprio trabalho e suas contribuições com a comunidade e se fazer isso se transforma em uma fonte de renda o que há de errado?

Para citar João Ubaldo (o artigo ) não está mais disponível), vejam o que ele diz sobre a visão brasileira do trabalho intelectual:

“Acho que foi o Paulo Francis que se queixou, já faz algum tempo, do volume de trabalho de graça que aqui esperam dele. Agora me queixo eu. O Brasil, me parece, é campeão nesse tipo de prática. As pessoas esperam que o escritor trabalhe de graça o tempo todo e ficam grandemente ofendidas quando ele se recusa.”

Continuo recebendo cada vez mais e-mails do tipo que me pedem alguma coisa. Geralmente eles começam o primeiro parágrafo (para os poucos que sabem pelo menos o que é um paragrafo) elogiando o meu site e colocando-o nas alturas, numa tentativa de massagear o meu ego para depois extrairem o que precisam. Depois de bem massageado eles começam a pedir análises, consultas, dicas específicas, código e outras coisas prontas. Certa vez eu cheguei a enviar um orçamento e a pessoa se sentiu ofendida. Será que é minha obrigação enquanto escritor e profissional de tecnologia fazer o papel de consultor de graça? Meus amigos blogueiros também sofrem das mesmas inconveniências e muitas vezes alguns leitores reclamam que eles não respondem e-mails.

Outros quando são moderados nos comentários dos sites, chegam ao ponto até de apelar para recursos politicos declarando que “isso aqui é uma democracia”, “você não pode me excluir”, “eu tenho direitos”. É claro que não. Não são os impostos dos leitores que pagam o hosting, não são os seus impostos que sustentam o escritor e que lhe confere o privilégio de escrever em um site, não é o leitor que paga o domínio e nem nada. Muitas vezes um perfil de leitor que gosto de chamar de “ocupante” e “retirante”, que são aqueles caras que apelam para o discruso democrático e que “ocupam” certos blogs, geralmente são os mesmos que reclamam da publicidade.

Criei minha conta no PayPal quase que por vingança. Por favor, não me levem a mal. Eu recebo centenas de e-mails pedindo de tudo que você pode imaginar. Já me pediram até computador aqui no site. A cada e-mail que eu receber de alguém pedindo algum tipo de consultoria, eu vou sugerir que a pessoa faça uma doação mesmo que simbólica no valor da importância que a minha contribuição tem para o problema dela. E após feita a doação terei o maior prazer em ajudá-la no que for preciso. Basta você saber um pouquinho de inglês, dispor de alguns minutinhos e nem precisa ter conta na PayPal. Basta clicar no botão ao lado e ir seguindo os passos. Em alguns instantes você pode transferir uma quantia em dinheiro para o Revolução Etc. Todo benefício quando é mútuo forma dois sorrisos no mínimo. Eu quero te fazer sorrir mas eu também quero esboçar meu próprio sorriso, porque não?

Leia o Cardoso do Contraditorium que me inspirou:

UPDATE: Outros textos que de alguma maneira contribuem com a discussão: