Onde está a democracia?

Assista, tem só 5 minutos: Vídeo “Violentamente Pacífico” (XII Festival Nacional: a Imagem em 5 Minutos – 2008) de Gabriel Teixeira realizado no Bairro da Paz, periferia de Salvador-BA.

Pense comigo: tudo na nossa sociedade, incluindo todas as leis e a forma como nós nos organizamos, foi criado (desenhado, engendrado, planejado) por pessoas em alguma época, a mando de alguém ou grupo, tendo eles objetivos e interesses em que as coisas fossem exatamente como são hoje. Ou seja, as coisas ao nosso redor, nossas leis e justiça são resultados da idealização de pessoas, como eu e você. Por exemplo, se nosso sistema penal oferece cumprimento de pena diferenciado para quem tem ensino superior e não-diferenciado para quem não tem autoridades políticas (a prisão para quem tem nível superior acabou em abril de 2011, mas a prisão especial para autoridades políticas, não), essa lei está privilegiando quem? Você acha que o sujeito que propos isso era rico ou pobre? Quem estamos protegendo na sociedade com essa lei? Ou seja, nós não desenhados uma sociedade pensando na usabilidade de todos os “usuários do sistema”, de todo cidadão.

Outra pergunta: se você pudesse desenhar uma sociedade do zero, você permitiria a construção de 1 viaduto enquanto exister uma ou mais bocas com fome e sede? Se nosso Brasil fosse uma aldeia de 80 brasileiros ao todo (ao invés dos 192 milhões de habitantes que já somos hoje), e você soubesse que desses 80 habitantes, 3 crianças estão nas redondezas com fome. Que “obra” você faria primeiro: asfaltaria a rua ou salvaria essas 3 crianças com os recursos públicos da sua aldeia? A resposta pra essa pergunta revela os interesses do “desenho da sociedade” que nós continuamos sustentando. As coisas estava assim na época dos nossos país, foi assim na nossa infância e está sendo na dos nossos filhos. Quando chega as eleições, dentre os partidos disponíveis que existem pra você escolher, nenhum deles tem interesse ou é capaz de mudar esse desenho de privilégios na raiz. Ou só querem estar no poder ou, por melhor intencionados que sejam, nunca terão o poder de mudar. Precisamos criar formas que, de fato, parta de todos na sociedade, como um grito de basta, que destrua as leis e hábitos que privilegia o patrimonio para começar a priorizar pessoas. Lembre-se, pessoas são mais importantes que coisas.

Administração pública e prioridades precisam ser redesenhados, pensando mais no bem estar das pessoas e de todo e qualquer indivíduo, independente de cor, sexualidade, origem, etc. Não é a tecnologia que promove mudança, é como nós usamos e idealizamos seu uso. É permitir todo mundo (não só eu e você) ter livre acesso a tecnologia e educação de graça. É oferecer a criança a capacidade mental de questionar e desenvolver o pensamento crítico, pensar, ao invés de torná-la apenas uma mão de obra. Só isso pode trazer grandes mudanças pra todo mundo. Nós mesmos somos a única esperança que precisamos pra mudar. Ainda somos muito lentos se pensarmos na urgência de quem está com fome agora. E mesmo que a gente queira mudar isso, imediatamente, nesse exato momento… fica só uma pergunta: onde está a democracia?