O Google tem sido um mau exemplo. Vamos nos unir para convertê-lo?

<update:date="2006-08-14">
Acabei de ver um post super interessante e que tem tudo haver com este no Berea Street: Google valid ans strict. O mais curioso é que ele fez exatamente o que eu fiz!
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O Google é uma empresa que impressiona a cada novo serviço que lançam no mercado. Gmail, Orkut, Google Earth, Gtalk, Google Calendar, Google Analytics e dezenas de outras coisas úteis e inúteis que já cairam no gosto popular e que fazem muito sucesso em qualquer lugar desse planeta azul. O mecanismo de busca deles é o mais utilizado no mundo e extremamente eficiente. As otimizações dos mecanismos de buscas implementadas nos sites e almejados por todos, resumem-se quase que somente ao próprio Google. Dizem até que se você faz uma busca no Google e não encontra nenhum resultado a respeito, é porque essa coisa não existe. Mas existe um aspecto que poucas pessoas observam nele. Eles não são tão mocinhos assim quando se trata de web standards. Neste ponto, eles são os malvados da história!

O mecanismo de busca do Google ao indexar as páginas utiliza ótimos critérios. As técnicas de Search Engine Optimization de sucesso, mostram que otimizar site para o Google é 70% padrões web e mais alguns outros detalhes. Todo site bem desenvolvido e que segue os padrões web, consegue notar facilmente o aumento de sua relevância nos resultados das buscas. Se o mecanismo de busca deles é tão rigido e fiel em relação aos web standards, porque eles mesmos não seguem os padrões?

Google Accessible Search

Li nesta semana no Berea Street sobre o novo mecanismo de busca chamado Google Accessible Search que ainda está em desenvolvimento. É um mecanismo de busca que prioriza resultados de sites que estão com a acessibilidade em dia. Na FAQ deles (por sinal é a única coisa razoável em termos de código que eu já vi até hoje), eles inclusive apontam para o WCAG da W3C como uma recomendação, o que até sugere que seguir estas normas de boas práticas é uma forma de garantir que o seu site esteja entre os resultados desse novo mecanismo de busca ideal para deficientes visuais e que navegam na web por leitores de tela.

Mas se você prestar atenção em qualquer página do Google (até mesmo na página do próprio Google Accessible Search), todas elas possuem uma markup extremamente obsoleta, suja, com erros absurdos de sintaxe e muito menos com técnicas de acessibilidade. Criar um produto desse porte e com este perfil, é o mesmo que chamar um ator fumante, apaixonado por cigarro e com câncer de pulmão para ser o garoto propaganda contra o tabagismo. Só se for para exemplificar a máxima de “faça o que eu digo e não faça o que eu faço“.

Eles utilizam a tag <font> para dar cor aos elementos e controlar tamanho de fonte, abusam de declarações de CSS inline e inclusive no <body>. A página principal do Google nem sequer possui um doctype e centenas e centenas de outros tropeços simples de serem evitados. Por que insistem nestes erros?

O Google é uma companhia capaz de fazer muito barulho. Se eles iniciassem uma cruzada em prol dos web standards e simplesmente começassem com seus próprios produtos e serviços, os ganhos seriam gigantescos. Para eles e para a web como um todo. A simples notícia de um mecanismo de busca do Google, específico para buscar conteúdos de sites com a acessibilidade em dia, já é um apoio muito grande aos padrões. Mas infelizmente o próprio Google continua gerando markup obsoleta como se costumava fazer a 7, 8 anos atrás. Quando todos investem em padrões web, todos saem ganhando. Mas o gigante dos mecanismos de buscas parece não enxergar grande vantagem nisso.

Que tal converter o Google para algo mais elegante?

Enquanto eu escrevia este texto fiquei pensando que seria um adendo muito interessante “converter” o Google para uma markup moderna, semântica e sem erros de sintaxe. Daí eu arranquei os scripts (alguns scripts inline também), tirei todas as tranqueiras que eles tinham e fiz o Google Semântico (este conteúdo não está mais disponível) somente para demonstrar uma markup racional e não a funcionalidade. Minha página do Google convertido não faz buscas (e nem deve porque isso seria um crime) e não foi feita para funcionar, só para demonstrar.

Mantive as declarações de CSS no head por razões óbvias e segui exatamente o mesmo design. A intenção disso é realmente demonstrar o quanto é simples (gastei apenas alguns 40 minutos para fazer isso e nem me esforcei pra ser “pixel perfect”), fácil e útil ser um exemplo a ser seguido. Espero que no futuro este meu texto possa ser saudosista por remeter a um passado obscuro em que o Google “ainda” utilizava marcação obsoleta em seus produtos e serviços.

Participe da grande campanha de fé para a conversão do Google

Todos que quiserem converter alguma página do Google para uma markup moderna, elegante e que siga os padrões web, hospede em algum lugar a página e deixe o link aqui nos comentários para todos verem. Divulgem, dobre seus joelhos, escreva em seus blogs, façam correntes e vamos lutar pela conversão do Google. Pode ser qualquer página, de qualquer produto e pode até ser repetida. Não importa. A intenção é que a “fé” coletiva é mais forte para poder conseguir tornar o Google nosso “irmão”. Mãos a obra! Quem sabe o Google não se converte!?