"Eu não imagino minha filha colocando uma roupa da Renner nem para dormir."

Antes de mais nada leia essa notícia no Estadão e procure pela citação:

“Eu não imagino minha filha colocando uma roupa da Renner nem para dormir.”

Fico triste ao ver notícias como essa. Fico triste de ver gente tendo oportunidades de trabalho, de começar carreira em uma empresa legal e não sentar pra estudar nunca. Parece a geração que odeia estudar. E nem estou falando de educação formal, estou falando de “aprender”, conhecer, ter conhecimento. São pessoas cuja educação está centrada no comodismo. Pessoas que só compram, que desejam um “maior policiamento nas ruas” mas não se dão conta que violência e criminalidade são pura e simplesmente fruto de desigualdade social e pobreza. Não existe fim de criminalidade enquanto você mantém um grupo de pessoas comendo arroz puro e vivendo como párias. Seu bairro não vai ficar livre do crime enquanto a sua cidade se esforçar em manter os pobres na periferia, do lado de fora, pra você ficar limpinho do lado de dentro.

Você classe média que passeia de carro e tem grana pra comer bem e só está preocupado com sua aparência, suas roupas de marca — como se isso fizesse você ser alguém — e tudo o que você quer é não ser abordado por engraxates e pedintes e nem ser abordado por pobres andando no mesmo shopping que você, te falo que você (e eu) se fudeu. Essa atitude mantém o status quo da criminalidade e desigualdade social. Misturado a isso, nossas cidades estão se tornando parque de diversões para nós, classe média, onde ninguém mais quer estudar, ler, ser informado de alguma coisa, produzir coisas inteligentes, pensar em solução. Vejo um monte de cocotinhas bem arrumadas, cheirosas e profundamente burras, que acham que ler um livro da modinha as torna leitoras e inteligentes. Vejo um monte de jovem cabeça oca que podiam estudar nas melhores escolas, ir nos melhores museus, abrir suas cabeças, quebrar paradigmas, aprender a pensar diferente dos próprios pais, mas tudo o que querem são seus Nikes e acompanhar o BBB. Não tem consciência nem da própria condição social. Não entendem como chegaram ali e nem pra onde estão indo. O engraçado é que somos uma sociedade que não aprendeu a pensar em sociedade. Somos todos classicistas e queremos manter nossa posição. Vivemos em um mundo de publicidade e imagem, e todo mundo acha lindo. Acorda galera, vai estudar, virar gente e parar de perpetuar idiotices!

Sabe o que é mais engraçado nessa matéria? Se os filhos de alguma dessas mulheres da matéria no Estadão forem brutalmente assassinadas ou estupradas saindo da escola — cujas as filhas não vestem roupas da Renner — esses mesmos rostinhos que usam Channel e Prada, irão parar em camisetas e cartazes feitos para passeatas contra a violência, que é a única reação que classe média consegue “pensar” quando são atingidas pela pobreza marginalização. A mesma pobreza marginalização que se especializaram em ignorar o tempo todo. Passeatas burras, de gente burra. Enquanto todo mundo ficar calado e não chamar essas donas (Sandra Mussi, Renata Galvão, Carla Rocha e Sofia Menano) de idiotas em público e em voz alta, a camada não pensante da sociedade não terá a “oportunidade” pra se dar conta que essas pessoas são idiotizadas e burras. Pronto, agora você tem uma oportunidade de começar a não ser mais um idiota!