Design acessível, Daltonismo e a cegueira das cores

Daltonismo é um distúrbio da visão que impede com que a pessoa consiga perceber a diferença entre algumas cores. É também conhecido como cegueira das cores e formalmente chamada de discromatopsia ou discromopsia. A forma de daltonismo mais comum é a dificuldade de distinguir entre o verde e o vermelho. É um distúrbio de origem genética mas que pode ser causado por lesões nos olhos ou até mesmo no cérebro. Este problema é muito mais comum em homens do que mulheres e estima-se que cerca de 8% de toda a população mundial de homens são daltônicos.

Imagem que mostra o teste de Ishihara onde pessoas com daltonismo vêem o número 21 ao invés do 74 Existem basicamente 3 variações de daltonismo, a deuteranopia, que é a dificuldade de enxergar cores verdes, a protanopia que é a dificuldade de enxergar cores vermelhas e a tritanopia (mais rara) que é a dificuldade de enxergar cores azuis. Um dos métodos para se diagnosticar se você é ou não daltônico é através do teste de Ishihara, como na imagem que eu coloquei para ilustrar este texto. Se você que enxerga, mas não conseguiu ver o número 74 na imagem, basicamente você é daltônico. Existem outros métodos mas este é o mais famosos deles. Curiosamente, a maioria dos daltônicos não sabe que possuem este distúrbio da visão.

WCAG – Assegure que texto e gráficos são compreensíveis se vistos sem cores

A diretriz de número 2.1 do WCAG diz, “assegure de que toda informação comunicada com cores também esteja disponível sem cores”. Na prática isso quer dizer que a cor não deve ser a única forma de identificar elementos com significado no site, como por exemplo links, menus, textos etc, ou seja, tudo aquilo que eu precise interagir de alguma maneira. Um exemplo disso são as mensagens de erro em formulários: “os campos destacados em vermelho não foram preenchidos ou precisam ser corrigidos. Preencha corretamente estes campos e clique em enviar novamente.” Se o contorno em vermelho de um campo de formulário é a única forma de comunicar que um campo foi preenchido incorretamente, significa então que o formulário não é suficientemente acessível para pessoas com daltonismo.

Mito do design vermelho

Um dos mitos que há em torno do daltonismo é a de que o designer não deve usar vermelho ou verde em nenhuma hipótese para compor uma interface, senão o site não será acessível. Bom, isto é um mito. A verdade é que não significa que a pessoa não enxerga nada no lugar da cor, o que significa é que ela não consegue distinguir cores em relação as outras. Em qualquer campo do design, o que não deve ser feito é limitar a identificação de elementos de interação exclusivamente a diferenças de tonalidades de cores. Todos os elementos de interação devem ter mais de uma forma de se distinguirem entre si que não seja exclusivamente por cores.

Links devem ter cara de links

O exemplo clássico mais aplicável na web sobre uso prudente de cores são os links textuais que colocamos nos textos. Para você entender melhor o que eu quero dizer, veja o exemplo abaixo de uma imagem com 3 estilos decorativos de links diferentes uns dos outros.

Imagem que mostra 3 estilos diferente de CSS aplicados ao um trecho de texto. De um lado é exibido estes estilos como visto por uma visão considerada como normal e do outro o mesmo trecho é exibido como visto por uma pessoa daltônica.

No exemplo da imagem acima, o terceiro estilo de link é praticamente indiferenciável do restante do texto. E o segundo estilo de link se parece apenas com um negrito e não com link. Ou seja, o estilo de texto sublinhado, a primeira opção, é a melhor forma de representar um link. A dica para estilizar links é que links devem ter cara de links. Sério. Em um menu por exemplo, que recebe um destaque diferenciado por causa do posicionamento, contornos etc, não necessariamente precisa ser sublinhado. Mas desde que todo o contexto deixe bem claro que trata-se de links de menu. Agora no meio do conteúdo propriamente dito, não há como fugir do sublinhado como forma simples de indicar a todos os usuários o que é um link e o que não é.

Ferramentas que podem ajudar você

Imagem do site Revolução Etc simulando a visão de uma pessoa com tritanopia Existem algumas ferramentas que você pode usar para testar seus sites para saber se eles são acessível a pessoas com daltonismo. E como qualquer ferramenta automatizada o que prevalece é o bom senso. Uma ferramenta muito conhecida para testar se seu site possuiu contraste suficiente para pessoas com daltonismo é o Vischeck.

Imagem do site Revolução Etc simulando a visão de uma pessoa com protanopia Entretanto eu costumo usar um programa chamado Color Oracle com versões que rodam tanto no Windows e Linux quanto Macs. Ele faz exatamente o que o Vischeck faz, você seleciona o tipo de distúrbio de visão e o Color Oracle altera as cores do seu monitor de acordo com as limitações de cores de deuteranopia, protanopia e tritanopia. Eu o acho mais eficiente porque você pode usar ele não somente em páginas web, mas também em desenhos vetoriais, Photoshop e qualquer coisa.

Imagem do site Revolução Etc simulando a visão de uma pessoa com deuteranopia O que você precisa observar na simulação feita pelo Color Oracle é se todos os textos e links são legíveis e possuem contraste suficiente para serem compreendidos. Só isso. Os 3 testes devem ser satisfatórios. Um outro exercício simples de ser feito é usar algum programa de edição de imagem e transformar seu site em preto e branco para verificar se os elementos possuem um bom contraste entre si. Isso não significa que seu site será acessível para daltônicos, até mesmo porque o contexto de preto e branco é ausência completa de cores (o que é de longe o caso do daltonismo), mas serve como exercício para verificar o contraste do seu site em 4 contextos diferentes.