Análises de DNA de centenas de vikings revelam que eles não eram quem pensávamos

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O que é um Viking? A palavra sugere uma imagem inconfundível: o estereótipo dos ousados invasores escandinavos, temíveis saqueadores com pele branca e cabelos claros, invadindo e viajando impiedosamente pelo mundo há mais de 1.000 anos.

Análises de DNA de centenas de vikings revelam que eles não eram quem pensávamos
Foto:(reprodução/Va?stergo?tlands Museum)

Só que, afinal de contas, parece haver um erro – detalhes cruciais nesta lenda de longa data estão errados, revela uma nova pesquisa. De acordo com uma grande análise genética de mais de 400 esqueletos vikings espalhados pela Europa, muitos vikings não eram de ascendência escandinava, e muitos teriam cabelo escuro, não loiro.

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“Os resultados mudam a percepção de quem era realmente um Viking”, diz o geneticista evolucionista Eske Willerslev, associado à Universidade de Cambridge no Reino Unido, e à Universidade de Copenhague na Dinamarca

“Os livros de história precisarão ser atualizados”.

Resultados inesperados

Seus estudos pioneiros remodelaram nossa compreensão da composição genética histórica das populações em todo o mundo – da Austrália, ao Sudeste Asiático, América do Norte, Pacífico Sul, e muito mais.

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No novo estudo – a maior análise genética dos Vikings até hoje – Willerslev liderou uma equipe de dezenas de cientistas, examinando os restos de 442 esqueletos Viking recuperados de sítios arqueológicos na Escandinávia, Reino Unido, Irlanda, Islândia, Groenlândia, Rússia, e em outros lugares, a maioria dos quais datam da Era Viking (aproximadamente nos anos 793-1066).

O sequenciamento de DNA dos restos mortais – com ossos de homens, mulheres, crianças e bebês – sugere que tanto antes como durante a Era Viking, uma gama diversificada de influências genéticas estrangeiras fluiu para as linhas de sangue escandinavas, da Ásia, do sul da Europa e das Ilhas Britânicas.

“Não sabíamos geneticamente como eles realmente eram até agora”, diz Willerslev.

“[Isto] desmente a imagem moderna dos Vikings com cabelos loiros, já que muitos tinham cabelos castanhos, e eram influenciados pelo influxo genético do exterior da Escandinávia”.

Pesquisadores explicam a verdadeira identidade dos Vikings

Dentro da Escandinávia, as regiões do sul eram mais propensas a serem locais de diversidade, os resultados sugerem, provavelmente porque estavam geograficamente mais próximas do sul da Europa e da Ásia. Em contraste, o fluxo de genes no interior da Escandinávia era mais restrito, com algumas populações Viking mais isoladas do que se pensava anteriormente.

Em outros lugares, durante o período, as viagens Viking não apenas espalharam conquista e comércio, mas também sementes genéticas que ainda podem ser vistas nas pessoas de hoje, com 6% das pessoas no Reino Unido estimadas como tendo DNA Viking, e na Suécia, até 10%.

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“Os vikings dinamarqueses foram para a Inglaterra, enquanto os vikings suecos foram para o Báltico e os vikings noruegueses foram para a Irlanda, Islândia e Groenlândia”, diz o primeiro autor Ashot Margaryan, da Universidade de Copenhague.

“Entretanto, os vikings destas três ‘nações’ só muito raramente se misturam geneticamente. Talvez eles fossem inimigos ou talvez haja alguma outra explicação válida. Nós simplesmente não sabemos”.

O começo de outras descobertas

Os resultados também revelam que durante a Era Viking, ser um viking era tanto um conceito e uma cultura quanto uma questão de herança genética, com a equipe descobrindo que dois esqueletos vikings enterrados nas Ilhas do Norte da Escócia tinham o que parece ser uma herança relativamente pura escocesa e irlandesa, sem influência escandinava, pelo menos não geneticamente falando, isto é.

“As diásporas escandinavas estabeleceram comércio e colonização desde o continente americano até a estepe asiática”, explica o arqueólogo Søren Sindbæk do Museu Moesgaard, na Dinamarca.

“Eles exportaram ideias, tecnologias, linguagem, crenças e práticas e desenvolveram novas estruturas sócio-políticas”.

Traduzido e adaptado por equipe Revolução.etc.br

Fontes: Science Alert, St. John’s College, University of Copenhagen

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