Reinventando o HTML: o futuro da linguagem de hypertexto

Esta semana Tim Berners-Lee deu uma resposta a certos aspectos das recentes discussões sobre os rumos da W3C com o texto Reinventing HTML. Não só colocou panos quentes na discussão como falou sobre os planos futuros da W3C quanto ao HTML. No texto ele mostrou-se como um pacificador e visionário por um lado e um pouco conservador de outro. Enquanto Eric Meyer chamou os avanços de iniciativas como Microformats e WHATWG de “progresso”, Tim nem cita ou considera microformats como parte da “reinvenção do HTML” e apenas referiu-se ao WHATWG como “não tendo um processo ou responsabilidade final específica que mensure a si mesmo” (Trecho original: did not have a process or specific accountability measures itself). Um pouco conservador não?

Este tipo de iniciativas privadas não são uma aberração.

Para quem não sabe o WHATWG (Web Hypertext Application Technology Working Group) é uma iniciativa de Ian Hickson ex-membro da W3C que foca na especificação chamada de Web Applications 1.0 e as vezes referenciado como “HTML 5“. Segundo Hickson, parte dessa especificação já foi submetida a W3C e é de interesse dele e de outros colaborados que os avanços com o HTML 5 trabalhe mais perto com a W3C e não à parte. Ou seja, não se preocupe com iniciativas proprietárias no futuro, eles são os “good guys” da história.

É preciso lembrar que iniciativas como a o do WHATWG e de Microformats são pessoais/privadas mas “politicamente corretas”. Elas surgiram sim do esforço pessoal (em oposição ao esforço institucional como a W3C), mas o objetivo delas não é ser “proprietária” e sim amplamente difundidas bem como as iniciativas da própria W3C. Ou seja, nenhum browser no futuro vai ter que pagar royalties por implementar parsers especificos de microformats, XHTML 2 ou do HTML 5. Estas iniciativas nasceram de pessoas que fizeram parte da W3C, conhecem os processos formais de especificação e possuem interesses em desenvolver um trabalho em conjunto e não particular/privado/proprietário. O que eles não querem é que tecnologias relacionadas as linguagens de marcação não fiquem estagnadas e que avanços sejam feitos, como hoje podemos ver o mar de informações que já são compartilhadas nos micro-formatos.

W3C para o alto e avante?

Recentemente os rumos da W3C esteve em pauta de debate em dezenas de blogs espalhados pelo mundo, inclusive com a participação de membros ativos e antigos como Zeldman, Molly, Meyer, Hickson, Veen, Hoehrmann, Malarkey dentre outros. A principal crítica é a falta de iniciativa da W3C e o avanço de outras iniciativas particulares como WHATWG e Microformats. Até mesmo a Molly Holzschlag que pareceu ser a mais conservadora na discussão reconhece : “One thing everyone agrees on, including me, is that the W3C is becoming very limited in terms of real-world contributions and other groups such as WHAT-WG and microformats.org are truly advancing the web, not the W3C.” (Tradução: Em uma coisa todos concordam, incluindo eu, é que a W3C está se tornando bastante limitada em termos de contribuição ao mundo real e outros grupos como o WHATWG e microformats.org estão progredindo a web, e não a W3C).

O primeiro aspecto que eu achei muito interessante no texto de Berners-Lee foi o fato que mesmo que a tentativa de fazer o mundo mudar para o XML como linguagem de marcação padrão ter falhado, as iniciativas de incrementar o HTML e levá-lo a um mundo bem formado (well-formed) não foram abandonadas. Isso sim é animador. A segunda coisa que me impressionou foi o fato de Tim Berners-lee ter afirmado que haverá avanços tanto no HTML quanto no XHTML e no XHTML2 que não terá nenhum tipo de dependência dos outros working groups. Não me perguntem o porque de tantas frentes de batalha, perguntem ao Tim.

O outro lado do futuro das linguagens de marcação que Berners-Lee sequer citou, é o futuro dos microformats como um dialeto de XHTML, como tem sido chamado. Se considerarmos o presente, a W3C já considera Microformats como um dialeto de XHTML e já o incluiu em sua agenda oficial de GRDDL (proncuncia-se “griddle” ou gruidou) e automaticamente já está associado com Web Semântica (com letras maiúsculas mesmo). Estava demorando. Desde a primeira vez que eu escrevi sobre Microformats aqui a quase um ano atrás e me lembro que não encontrei nada em português, eu arrepiei com as potencialidades. Acredito que Tim Berners-Lee poderia ter sido mais benevolente em seu texto.

Como diz Drewn Maclellan, o seu site pode ser uma API apenas utilizando markup semântica e microformats. A lista de ferramentas e utilizadores de microformats só tem aumentado e seu crescimento se deve a possibilidade real de aplicação no mundo real de hoje. Não é necessário esperar os avanços das linguagens de marcação como Berners-Lee falou para sua utilização. Microformats já é uma realidade de aplicação no atual universo do (X)HTML com plena vista para o futuro. Apenas aprenda a parsear e divirta-se.

Mas e o futuro?

Bom, segundo Tim Berners-Lee, a W3C vai investir tanto no HTML quanto no atual XHTML e ainda no XHTML 2. O WHATWG com toda certeza não vai desaparecer e Microformats já é tão realidade que seu desenvolvimento é irreversível, acredite ( Faça uma busca neste link pela palavra “microformats”). Dá para apostar em uma única linguagem? Com certeza não. Com tantas frentes de batalha referenciadas (e algumas até ignoradas) por Berners-Lee, a única coisa que podemos fazer é esperar e nos divertir.

  • Token

    Microformatos está ascensão e muitos sites estão adotando realmente seus padrões. É um estudo importante para todos.

    Recentemente foi criada diversas páginas traduzidas em português-brasileiro sobre microformato no site oficial.

    Ver em: http://microformats.org/wiki/Main_Page-pt-br

  • http://box711.bluehost.com/suspended.page/disabled.cgi/atreyo.com Thiago Machado

    Eu acredito na ascenção dessas sugestões qu estão sendo praticadas e desenvolvidas. Em breve teremos boas opções assim como hoje o linux que existem excelentes distros para usos especificos, será que teremos uma interoperabilidades semelhante também, eu estou louco pra saber onde esses debates com os ' cabeções ' criadores/disseminadores de padrões vai dar.

  • Rafael Oliveira

    Concordo. Os MicroFormats estão sendo mais e mais usados, e são soluções bem simples para alguns problemas comuns, como o rel="nofollow" usado aqui, por exemplo.

    Se me permitem, para quem usa dreamweaver e quer uma ajudinha com microformats, a extensão criada pelo Web Standards Project é uma mão na roda.
    http://www.webstandards.org/action/dwtf/microform

  • Igor Escobar

    O Futuro esta mais próximo do que pensa caro Henrique rsrs, vamos comemoriar muito quanto ele chegar ;)

  • http://rufspace.com Fellipe Cicconi

    Henrique, você não acha que futuramente os MFs (da forma como os "markamos") possam simplesmente ser substituídos por Namespaces específicos? Se é pra portar conceitos do XML para o dia-a-dia, por que não fazê-lo de forma completa?!

    Ok! Eu sei. São o futuro hoje. Eu amo os MFs, de verdade, só não acho que eles são aplicados à Web da melhor forma possível.

    A idéia de transformar um site em uma API propriamente dita é sensacional. Torná-lo plugável sem esforço é tão bom, ou melhor, do que fazê-lo semântico – não que um elimine o outro.

    -*-

    TBL faz certo ao tomar uma posição equilibrada quanto as discussões levantadas. Creio que uma exploração por parte da W3C só pode/deve ser tomada quando um iniciativa é realmente inteligente. Sim, eu acho que é o caso dos MFs, mas ainda assim é necessário cautela.

  • Daniel

    O futuro está proximo, e acredite quando ele chegar nós produtores de web estaremos la abocanhando tudo e deixando de uma vez por todas os micreiros para traz.

    Lembrando que muito gente ainda nao usa os padrões quem me dera microformats!

    Ainda à um longo caminho a percorer mas quem sabe um dia ainda chegaremos la.

    abraços

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  • Andre

    Henrique, por que você não adere à campanha por FEEDS COMPLETOS? http://www.arcanjo.org/blog/?p=70

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