Qual a exigência do mercado em relação aos padrões web?

A demanda por cursos e treinamentos online no Brasil tem um histórico interessante de altos e baixos. E ela está intimamente relacionada com o interesse em adquirir determinado conhecimento sem contratempos, sem os tropeços que poderíamos ter aprendendo algo sozinho (o que é completamente possível) e totalmente voltado para o mercado de trabalho em um espaço de tempo curto. Conseguiu acompanhar todas essas variáveis? Então vou repetir: demanda por determinada tecnologia + aprendizagem eficiente (que é igual a “sem enganos”) + oportunidade de trabalho + conhecimento / amadurecimento profissional em um espaço de tempo menor = emprego garantido. Ou seja, você consegue aprender Linux e PHP sozinho tranqüilamente sem ninguém por perto. Acredite. Saiba que você vai gastar um tempo “x” para adquirir a experiência “2X”. O que você escolheria se tiver a oportunidade de aprender com quem já está trabalhando, com quem já tem experiência e com quem conhece as necessidades reais que as empresas estão procurando hoje (e não ontem)? Qual das opções você escolheria? Acho que sua resposta vai depender do quanto você precisa de um emprego em uma das área relacionadas com tecnologia.

Se você nunca trabalhou na vida e é sustentado pela sua família (nada contra eu também já fui um dia) você terá uma dificuldade maior de entender o peso do termo “mercado de trabalho” e suas exigências. Nos meus 18 anos eu odiava quando meu pai usava esse termo. Dez anos depois disso eu consigo entender muito bem o que ele queria dizer. No aspecto que estou escrevendo aqui, o mercado de trabalho é a relação entre o consumidor e a prestação de serviços e produtos baseado na demanda dos mesmos. Nós somos consumidores e exigimos mais. Porque o mercado já consegue oferecer mais por menos. Logo, o que eu e você exigimos hoje, não é mais o que queríamos anos atrás. O mercado de trabalho não exige mais “datilografia”. Por que não há empresas que precisem de pessoas que prestem serviços utilizando uma máquina de datilografia. Essa relação oferta e procura já não existe. Mas estão precisando de desenvolvedores com experiência em XHTML e CSS. Topa? O mercado não quer alguém que saiba Windows e Office. Se você colocar isso no seu currículo e entregar em uma agência web, acredite, eles vão pregá-lo no mural de piadas.

Quanto mais o desenvolvimento para web no Brasil amadurece, mais o mercado exige profissionais que “já sabem” em oposição aos que “estão aprendendo e possuem um grande potencial em aprender”. Mas quando estamos falando de tecnologias realmente novas, as empresas até estão dispostas em apostar e elas mesmas formar os novos profissionais. Até que a tecnologia se estabeleça, até que sua demanda se torne algo comum, e as exigências em relação a ela serão maiores. Mas quando estamos falando de uma tecnologia já amplamente difundida como HTML e CSS, não dá mais para perder 6 meses treinando alguém se já é possível encontrar um profissional já maduro nisso.

Há 3 ou 2 anos atrás era relativamente fácil encontrar uma empresa disposta a contratar alguém com um design legal mas que não sabia trabalhar com HTML e CSS. As empresas estavam mais dispostas a arriscar por algo “relativamente” novo. De qualquer maneira, hoje já não é tão fácil encontrar uma empresa que queira experimentar um profissional sem experiência com desenvolvimento em padrões web. Quer saber qual a razão pela qual isso está mudando? Exigência baseada no amadurecimento do mercado. Nunca vou me esquecer de quando conversei com o primeiro cliente há dois anos atrás que apareceu falando em “web standards”. Me lembro que eu o achei muito à frente. Hoje, os clientes já procuram com mais freqüência sites de fácil manutenção e com técnicas de SEO. Todos já procuram querendo estar na primeira página do Google. Conseqüentemente as empresas que atendem este mercado exigem profissionais que já sabem em oposição aos que “estão aprendendo”. E sabemos que para quem procura emprego hoje, não dá para ficar desempregado por mais 8 ou 12 meses até saber o suficiente.

Agora eu posso voltar no início do meu texto e justificar o porque eu acho que a demanda de cursos online e por livros especializados está aumentando. Ela aumenta proporcionalmente as exigência que o mercado impõe. Boa parte das disciplinas relacionadas com desenvolvimento para web podem ser aprendidas sozinhas e em casa. Todo desenvolvedor profissional que já está no mercado e bem empregado sabe disso. Foi assim que eu me tornei web designer. Mas se o conteúdo que eu aprendi em alguns meses estudando sozinho viesse de um curso ou de treinamento ou de alguns livros direcionados por profissionais já estabelecidos, eu teria aprendido na metade do tempo. Os livros também ajudam muito mesmo, principalmente quando se tem disciplina. Por isso a procura por cursos é ainda maior do que a de livros. Não entendeu ainda? É só voltar na equação: demanda por determinada tecnologia + aprendizagem eficiente (que é igual a “sem enganos”) + oportunidade de trabalho + conhecimento / amadurecimento profissional em um espaço de tempo menor = emprego garantido. Pergunte ao seu chefe (não que isso seja uma grande vantagem), se você tiver um.

  • http://rafaelmarin.wordpress.com Rafael Marin

    Bravo! Bravo!

    Concordo plenamente. Passei 2006 aprendendo web standards, mas poderia ter demorado 30 ou 45 dias se fizesse algum curso on-line.

    Aqui, em Caxias do Sul, quase todas as empresas e profissionais que trabalham com desenvolvimento web não empregam os padrões.

    Não vi sites feitos por elas que fossem 100% compliant, ou ainda, que não fossem feitos em tabelas – salvas raríssimas exceções.

    []s

  • http://rafaelmarin.wordpress.com Rafael Marin

    PS: Gostei bastante das pequenas modificações. Parabéns!

  • Rafael Dourado

    Sempre que leio textos assim, penso que aqui em Fortaleza ainda estamos no século passado. Aqui, as principais empresas de web ainda fazem e defendem sites institucionais em flash e layout em tabelas. Talvez a demanda esteja tão grande que até empresas desse nível são aceitas. É como ovo de chocolate na páscoa, quando até ovo quebrado é comprado.

  • israel

    Genial.

  • Rafael Oliveira

    Excelente!

    Saber trabalhar com os padrões da web está se tornando cada vez mais um requisito, e não mais um diferencial para o profissional, como era até pouco tempo. Mesmo assim, ainda existe uma quantidade grande de agências que ainda usam tabelas, e enfiam estilos no meio do HTML.

    Recentemente peguei um freela pequeno, no qual o código era extremamente bagunçado, haviam estilos repetidos diversas vezes ao longo do html, e até tags style dentro do body e de tabelas. Uma bagunça completa. As agências que ainda seguem esse caminho, certamente só vão perder, se não fizerem um "upgrade".

    Té! =)

  • http://www.needforlumbriga.com Camilo

    Muito legal o post.

    Gostei mesmo.

    Acho que dependendo da ocasião, o camarada não tem grana pra fazer um curso e acaba se virando sozinho mesmo, nem que isso demore mais tempo, é um meio válido.

    Hoje posso ver que o mercado já procura algo mais maduro, vi muitas empresas que querem designers que façam layouts 'tableless' ou que já façam sites seguindo os padrões.

    Entendo que ainda há um espaço onde o cara pode chegar e crescer lá dentro, como você falou, mas é preciso achar esse lugar rápido e dar o sangue lá dentro pra mostrar resultados depressa.

    [ ]´s

  • http://tecnocracia.com.br/ Manoel Netto

    Existem realidades bem diferentes. Hoje eu não posso afirmar que o mercado web brasileiro está maduro. Não posso mesmo.

    Aqui em Salvador (30 dias para Londrina e contando) por exemplo, são raras (sim, raras) as agências que trabalham com padrões web. CSS já está sendo muito utilizado, na medida que softwares como Dreamweaver já o utilizam nas formatações, mas ainda se encontram muita coisa "inline", e a MAIORIA dos sites que eu vejo feitos pelo pessoal daqui é tablebased. Isso quando não são totalmente em Flash (bastante também).

    Apesar de amplamente difundidos, os padrões web ainda não são (infelizmente) amplamente utilizados de fato.

    Abraço

  • http://project47.viscountbox.com Carlos Eduardo

    Juntamente com a mudança nesse panorama dos clientes – mais conscientes ao ponto de requisitarem Web Standards e SEO em seus sites – os profissionais têm mais facilidade para justificar o porque dessas metodologias e a margem entre aqueles que dão/deram as costas para os padrões vai aumentando; convivo com isso diariamente.

    Sorte é que na agência na qual trabalho, possuímos grandes clientes, tendo como um dos pré-requisitos, um site bem formatado, semanticamente, correto, etc.

    O difícil era no tempo em que eu estagiava, a complicação que foi implantar os padrões para desenvolvimento dos sites, no antigo local de trabalho, e os motivos para deixar de utilizar o modo WYSIWYG no desenvolvimento deles.

  • http://www.anacnogueira.eti.br Ana Claudia

    Toda forma de aprender é valida, seja em livros, cursos, ou bom e velho google, etc.O que não dá é para ficar parado no tempo e ficar satisfeito. No mundo de Ti não da para dizer:"Acho que eu já sei o suficiente".Eu mesma reconheço que ainda sei nem a metade que eu gostaria de saber, mas nem por isso, vou continuar assim.

    Acredito que aprender na prática, ou seja, trabalhando ainda é uma das melhores formas de adquirir conhecimento,por experiência própria, pois você aprende o que é realmente relevante na área que você atua.

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  • http://escritatorta.em.blog.br Norberto Kawakami

    Se você quiser ter um emprego garantido mesmo, é necessário sempre estar na crista da onda. O que, para tanto, é necessário ter bola de cristal, às vezes.

    Mas de fato, o que você tem que ter de dom mesmo é saber jogar fora o conhecimento, sem dó nem piedade, (não todo, mas boa parte dele. O central, o core, se você souber identificá-los pode-se mantê-los) que você demorou para aprender e aprender coisas novas sempre.

    Quanto mais rápido você se adaptar ao "fast food" do conhecimento, mais chances de você conseguir trabalho.

    Ah, e mudar de emprego tão logo ele não der chances de você se atualizar.

  • no lhe entrç

    o ingles é muito bom

    bom pra jogar fora

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