Eu já disse que validação não significa nada?

Lendo textos e comentários em blogs por aí eu fiquei analisando o que muitas pessoas pensam sobre os web standards. Não é vergonhoso não saber algo que você está aprendendo mas é muito triste ver pessoas ostentar aquilo que não conhecem ou que não sabem nada a respeito. É simplemente amador.

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Achei interessante um post sugerido pelo Alexandre postado hoje (20/03/2006) no Berea Street que diz basicamente o que eu disse aqui. Validity does not equal best practices.

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Validação não significa nada

Muitas pessoas ficam presas a validação do (X)HTML. Elas associam validação com semântica e cometem o grande erro dos iniciantes. Eu já escrevi sobre isto e basta você rever meus argumentos. Mas semântica não é validação e nunca haverá algum tipo de relação entre elas. O validador da W3C serve para te ajudar a encontrar algum erro de sintaxe que está difícil de achar, serve pra te ajudar a ver se você deixou alguma tag aberta sem fechar mas ele nunca vai te informar se você está usando as tags corretamente nos lugares certos. A validação de um site não mede nunca a competência de um profissional. Se você tem o seu site validado isso não significada nada.

Os pedantes

Pedante é aquela pessoa que possuiu muita “vaidade” na maneira com que fala das coisas, e que acaba de forma arrogante e precipitada ostentando conhecimentos que na verdade não possui. Todos que foram adolescentes um dia sabem o que é isso. Geralmente este comportamento está relacionado com uma necessidade de auto-afirmação, uma necessidade de se impor ideologicamente. O profissional pedante é aquele que vai se apegar a detalhes desnecessários e vai se esquecer do principal. E ainda vai se orgulhar disso: “tenho um site validado em XHTML Strict”. Isso não significa nada.

Muitas vezes vários sites possuem erros de sintaxe por que são alimentados por editores de CMS e por pessoas não especializadas em markup de XHTML. Nada mais natural do que isso. Um site criado sobre padrões semânticos de HTML diz muito mais sobre a qualidade de um trabalho do que se ele é validado ou não. No mundo real, um site seguindo os padrões web e com alguns erros de sintaxe são centenas de vezes mais eficiêntes para os mecanismos de busca, do que um site não semântico mas validado. A razão disso é que o significado das tags é mais importante do que alguns erros de sintaxe. Lembre-se disso.

Seja no HTML ou XHTML erros de sintaxe são completamente ignorados pelos browsers com exceção daqueles relacionados com a estrutura. Diferentemente dos parsers de XML, você pode sustendar centenas de erros de sintaxe e ainda assim ter seu site perfeitamente apresentável nos browsers. Do mesmo modo é possível ter uma verdadeira tag soup no seu código fonte e ainda assim ter seu site validado pela W3C, desde que não tenha erros de sintaxe. Até um site completamente estruturado em tabelas pode ser validado.

No futuro quando tudo na web for servido como xhtml+xml, erros de sintaxe não serão permitido, mas não é uma preocupação que traga alguma dor de cabeça hoje.

A web será 2.0 somente quando ela for uma web semântica

Muitas pessoas estão preocupadas com Web 2.0 porque alguns meses atrás muitos sites (parece que o Gmail foi o carro chefe) começaram a utilizar JavaScript para fazer requisições assíncronas e várias ferramentas colaborativas surgiram e de repente “boom”; todos só falam em Web 2.0. Puro hype do momento.

Pra mim a web será 2.0 quando toda a web for Web semântica, seguindo os padrões RDF, quando tudo tiver o XML como a base de ordem e lei e a interoperabilidade da web for algo que possa facilmente ser servido a vários dispositivos de forma mais a la carte possível. Ficar usando JavaScript obstrusivo e construir coisas que se mexem é tão amador quanto àquele período em que todos colocavam animações feitas em Flash em seus sites e achavam que os dias do HTML estavam contados.

Mas isto tudo sobre uma web semântica ainda está muito longe de se tornar realidade, principalmente considerando que o Internet Explorer 7 não vai suportar o MIME type aplication/xml+xhtml. Quem sabe daqui alguns 6 ou 7 anos a web comece a dar os primeiros passos reais no mundo da web 2.0? Quem sobreviver verá.

  • http://www.qid.com.br Sergio Sparsbrod

    Muito pertinente seu texto Henrique. Eu mesmo já pensei erroneamente a esse respeito e pretendo estudar mais.

    Eu estou me especializando em Web Standards e já tenho um site reconhecido pelo W3C. Inclusive consegui algumas certificações de acessibilidade e montei o site em tableless. Veja você mesmo: http://www.jardimdeoracao.com.br

    Este é o site de minha igreja que estou fazendo aos poucos. O engraçado é que mesmo sendo validado, o Google demorou mais de 2 meses para indexá-lo. Outra coisa interessante, é que tenho um outro cliente cujo site foi feito de maneira comum (fora web standards) e ele está praticamente todo indexado. Acesse http://www.galeriahogar.com.br e faça uma busca no Google por alguns artistas da galeria. Você vai ver que a grande maioria aparece na primeira página.

    Enfim, não sei exatamente quais os critérios todos que valem como fatores de indexação para o Google, mas estes casos devem ser estudados.

    Mande um e-mail pra mim. Vamos trocar umas idéias a respeito.

    Abraços,

    Sergio

  • washington

    Docorações no titulo da página não é recomendado, pois leitores de tela irão ler esses caracteres decorativos. e deve ser um pé no ***** ouvir "menor que, mais, igreja…mais, menor que"

  • Henrique Boaventura

    Esse é um grande problema para mim ainda, saber que tag vai nesse lugar e qual vai naquele, me perco ainda nisso.

    Já tentei achar conteúdo sobre isso, mas ainda não achei, sugeres algum?

  • Thiago Montini

    Concordo plenamente com a questão de que ter um site válido somente pra "dizer que tem" não serve de nada, afinal não é essa a finalidade das validações…

    Só uma pergunta, vi em uma lista da qual participo (não me lembro se foi a arqHP ou a webstandards-br) um comentário sobre seu site, diziam que no rodapé vc tem links de validação, e o link do CSS esta apontando para outro site, existe um motivo para ter feito isso?

  • http://fator-s.com.br/ Estevis
  • Alessandro S. Angeru

    Sergio,

    Desculpe pela crítica, mas lhe corrigindo, eu acho que vc "ainda" pensa errado à respeito do tema em questão.

    O próprio título do post responde boa parte das suas dúvidas : "Eu já disse que validação não significa nada?"

    Logo, não interessa ao Google que vc tenha no seu rodapé : "Validação W3C: XHTML 1.0 / CSS | Site Acessível | Q.I.D.", ele pode até levar isso em consideração, mas de longe vai ser decisivo para a indexação de seu site.

    Vc realmente acerta qdo diz : "Enfim, não sei exatamente quais os critérios todos que valem como fatores de indexação para o Google, mas estes casos devem ser estudados"

    Para resolver isso eu sugiro: http://www.google.com.br/intl/pt-BR/webmasters/
    E vários outros artigos aqui mesmo do Revolução, como por exemplo: http://www.revolucao.etc.br/archives/acessibilida….
    Novamente, desculpe pela crítica, a intenção é que ela seja construtiva. Sucesso com seu site.

    Ah, Henrique, novamente ótimo artigo. Uma sugestão para o próximo: "Eu já disse que tableless não significa nada ?" hehehe.

  • Alexandre Gomes Gaig

    Eu acho que ficar preso à conceitos velhos só porque o IE não suportará o mime-type certo, é no mínimo preguiçoso.

    Se você leu web semântica, sabe que o propósito não é levar informação legível para seres humanos, e sim para máquinas. O mime-type não vai impedir que você crie um diretório de RDF no seu site, o IE não vai abrí-lo de qualquer maneira.

    Até mesmo se você for um bom seguidor da web semântica, saberá que o uso de XML e XSL é recomendado.. portanto poderá fazer sites com mimetype e marcação dinâmicos, apenas alterando o XSL de acordo com a identificação do browser. Ou seja, servir XHTML1.1 para navegadores de verdade, e HTML 4.01 para o IE. E não é nada complicado fazer isso, nada "futurista".

    Lembrando que o XHTML1.1 não é disruptivo, você pode usar todas as regrinhas dele no HTML 4.01 com pequenas modificações na sintaxe de declarações de script e estilos. (que podem ser feitas dinamicamente em PHP por exemplo, via XSL).

    Web semântica não é individual, você pode fazer o máximo de RDF, implementar todos os microformatos (e torná-los compatíveis com RDF/A), servir sua página no mime-type correto.. e ainda sim ela não será "web 2.0", porque web semântica é um conceito preso a coletividade. Quando alguns sites grandes começarem a indexar RDF, processar microformatos e finalmente tornar essa informação útil, aí sim teremos web semântica.

    Um bom começo seria desenvolver API's para seus sites (quaisquer) em SPARQL para as metainformações RDF. Assim no futuro haverá uma maneira de indexá-los. Embora isso seja meio difícil porque não existe AINDA um padrão pra criar API's (no site da w3c o projeto disso começou esse ano).

  • Gustavo Gatto

    Henrique

    Senti que isso não foi um post e sim um desabafo.

    Eu como leigo tenho uma curiosidade.

    Se a validação do W3C por enquanto é crua e nua, ou seja, não consegue entender o conteúdo (talvez quando os sites usarem os microformats) e nem boa parte da semântica, entendendo apenas critérios de hierarquia e sintaxe: por que quase todos os sites que utilizam de alguma forma os padrões colocam links para validações do código?

  • Alexandre Gomes Gaig

    O Roger Johanson, do 456 Berea Street, fez um ótimo post sobre validação, muito engraçado também! Acho que devia colocar como referência nessa mensagem…

    http://www.456bereastreet.com/archive/200603/vali

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  • http://lucasmarcal.blogspot.com Lucas Marçal

    "No futuro quando tudo na web for servido como xhtml+xml, erros de sintaxe não serão permitido, mas não é uma preocupação que traga alguma dor de cabeça hoje."

    è realmente não custa nada sonhar…

  • Keynes

    Henrique adorei o texto. Os usuarios finais não querem mesmo saber se o site é validado ou não, o que interessa para eles é duas coisas: ser rapido e bonito. É valido sim para programadores alias quem sabe no futuro dos browsers eles nao começam a checar isso??? Mas se podemos apreder certo desde ja, (com os validadores) por que seguir o caminho errado?

  • http://www.pauloacosta.com Paulo Acosta

    Muito legal esse artigo.

    Gostei desse seu desabafo pois também passo mal de tanto ouvir pessoas falando de boca cheia sobre validação.

    Quem tem site de alto trafego sabe que muitas vezes é necessário remover tags para poder poupar bandwidth…

    Pois como todos sabemos algumas não interferem visualmente em nada, apenas servem para validar.

    O HTML tem que ser construido de forma que esteja visualmente perfeito e ajude a posicionar bem em sistemas de busca. Insistir que a validação é fundamental é no minimo amador.

    um abraço

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  • Sérgio Henriq

    Acho que ainda há espaço para algumas colocações. Pelo que percebi, a maioria dos colegas de trabalho desenvolve websites visuais, ou seja, que prezam especialmente pelo conteúdo. Eu, pelo contrário, desenvolvo soluções de sistemas de informação, baseadas na web. Não sou de longe nem defensor dos estilos mais arrojados e completos e nem a favor do "abaixe o W3C". Acho que todas as coisas precisam ser dosadas adequadamente. De um lado, temos webmasters que se emocionam ao criar um design, lembre-se a página deve TER um design, ela não deve SER o design". Segundo, erros de sintaxe em HTML são ridiculamente possíveis, e devem assim continuar, desde que não atrapalhem a visualização do conteúdo em diferentes browsers, trabalho que é bem executado quando se verifica a página no W3C, já que este é o objetivo, criar um padrão de comunicação, para que haja independência do browser utilizando. Ademais, fica a fica, preza-se por funcionalidade e portabilidade. A sigla "Verificado no W3C" importa? Bem, o pior é se tiver a figurinha lá no fundo da página, e tags html aparecendo na tela ou tabelas e menus desalinhados, aí é deplorável!

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  • http://sunriserecords.sites.uol.com.br Jack

    Prezado Henriquem sabia suas palavras e seus conhecimentos são vastos. Visite nosso pequeno portal e ajude-nos a aperfeiçoa-lo

  • Joao

    Cara acho que voce tem suas opinioes bem formadas, so acho que esse lance de validaçao acaba sendo bom atualmente para voce programador saber se "tecnicamente" seu codigo vai rodar em todos navegadores.

    Tambem acho que nao tem credibilidade, tambem acho que nao ajuda muito, ainda mais que hoje em dia temos IDEs que informam de cara se o codigo roda no IE, firefox, etc.

    So nao se pode confundir validador com corretor de codigo, nao e pra isso que ele serve, usando certo e util, de certa forma.

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  • Gabriel

    Achei muito interessante, eu mesmo estava com esse pensamento sobre a web. Comecei a validar uns sites com o Validator W3c, e consegui mesmo o site tendo sido construído com o layout baseado em tabelas, logo depois eu retirei as tabelas da organização da página para estar reslmente de acordo com as Standards. É claro, eu ainda preciso estudar muito para ter a certeza de dizer que esses sites estão dentro dos padrões da W3c.

    Mas para se um site está organizado semânticamente e não estiver validado, ele seria considerado dentro dos padrões?

    Essa é a dúvida que eu tive ao ler o seu texto, pois no próprio título você praticamente desconsidera o uso da ferramenta de validação.

    Até mais.

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  • Socrates

    O negócio é ganhar dinheiro fazendo site, se o cliente gostar tá ótimo, essas brigas por padrões não enrriquece ninguem ,rsr

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  • carlos vitor

    Busco a semantica correta e a validação, voce escreveu um artigo em que parece dizer que quem valida um site está fazendo uma coisa errada.

  • Rodrigo T.

    Falou e disse! Só fica o velho problema: convencer o cliente que é mais importante um site acessível, com alto índice de usabilidade, sem muitos fru-frus desnecessários e que "não tenha aquela animação pesadíssima que ele por algum motivo quer-porque-quer". De repente seria interessante um post à respeito disso… abraço!

  • Marcelo

    Minha nossa senhora! Entendo tudo o que vc disse amigo, mas eu não posso ler isso e não manifestar uma coisinha, existe o jeito certo e o jeito errado de fazer um site.. os dois dão o mesmo impacto visual e funcionam, digamos assim mas sabemso que o errado jamais será tão acessível e usável como o certo, até mesmo pq não pdoemos ignorar as pessoas deficientes que tbm tem direito de acessar esse site por exemplo, eu tbm gostaria de acessá-lo pelo meu pda sem problemas ou pelo meu vídeo game ou talvez pelo celular…

    Então respondo..validação pra que? Eu te respondo pra que serve….

    Apenas para:

    1- Maior compatibilidade com todos os browsers (e cada vez será mais assim).

    2- Potencial maior crawlability por parte das spiders dos motores de busca.

    3- Compatibilidade multimedia, podendo ser acessado por qualquer mídia

    4- Será acessível para qualquer tipo de pessoa ( vivemos um momento onde as pessoas deficientes representam um fatia importante do mercado e estão sendo inclusas no mundo digital – inclusão social) e merecem respeito tbm né?

    5- Sempre será compatível com novas tecnologias

    6- Excelente custo benfício pois a estrutura, apresentação e o conteúdo do site estão separados e isso permite a atualização do site inteiro por outra pessoa que não seja o próprio desenvolvedor

    7- Está de acordo com o que existe de atual e correto

    Agora se tudo isso é despresível fica a critério de cada um!

    Eu entendo o que vc diz e respeito, aliás vc entende muito mais do que eu pelo que eu li… Mas acho que a responsabilidade no seu texto tem de ser ímpar!

    Um abraço e parabéns, afinal pensamentos diferentes geram essas discussões que nos agregam mais conhecimento e inteligência, nos fazendo entender o que é certo e o que é errado! Com todo o respeito, Marcelo Midaglia Resende

  • Marcelo

    Cade o meu comentário?