Designing for Web 2

Se você tem o hábito de ler na internet sobre web standards provavelmente você já deve ter ouvido falar sobre Web 2. E se você só lê em português provavelmente você deve saber no máximo metade de toda a história. Provavelmente você leu aquele belo texto no Carreira Solo, deve ter lido também o texto do Diego Eis no Tableless e do Bruno Torres. Talvez você até se assustou um pouco com a opinião do Bruno sobre a posição em que o Brasil está em relação a web 2; infelizmente ele está muito certo. Realmente dezenas de sites grandes ainda não sabem nem trabalhar com hiperlinks, muito menos transformar a web em um ambiente de desenvolvimento integrado. Sorry enthusiastics!

No Brasil as empresas de web ainda estão em dúvida sobre os padrões, sobre os web standards, anos depois dos conceitos deles já estarem bem amadurecidos. Se soubessem todas as reais vantagens de se fazer parte do hoje (na verdade elas estão e constroem para o passado) a situação por aqui seria bem diferente. De fato a preocupação aqui parece mais estar relacionada ao status egocêntricos de grandes agências que querem fazer aquele gigantesco site em flash ou no estilo folder, e nem se preocupam como a informação é tratada. Bonitinho mais ordinário. O primeiro problema a ser resolvido no Brasil deve começar pelo ego, depois pela web. Valorizar design acima da organização da informação é mastubar-se na frente do espelho.

O passado

Anos atrás a quantidade de publicações era muito menor em relação a quantidade de leitores. A informação estava relativamente centralizada e institucionalizada na forma de agências de notícias, governos e grandes empresas. Depois veio o CSS 1.0, o fim da guerra dos browsers e a vitória do pior deles. Hoje a quantidade de publicações diárias é milhares de vezes maior do que antes. O nosso relacionamento com a informação se inverteu. Estamos exigindo que ela venha até nós, na medida em que for relevante ao nosso interesse. Antigamente todos cultivavam seus favoritos/bookmarks e estavam sempre garimpando a informação naqueles sites lá armazenados.

Web 2.0

O conceito de lidar com a web mudou. A informação cresceu de forma assustadora e deixou de estar centralizada fragmentando-se em milhares de sites e blogs que hoje detêm o conteúdo relevante da web. Ela deixou também de ser um aglomerado de documentos e se transformou em uma rede de dados e informação. Ainda existe a porcaria e o inútil? Claro que sim, e provavelmente continuará a existir, mas a informação relevante está mais acessível e em um número milhares de vezes maior do que antes. O conceito de web 2 surge quando o comportamento de quem usa e de quem cria a web se altera de forma drástica com o advento dos agregadores de Feeds, web services, onde os dados podem ser acessíveis por SOAP (Simple Object Access Protocol) e outras tecnologias, APIS (Application Programming Interface – ), Serviços como Google Maps, Sistemas VoIP, Podcasters, Flickr, Del.cio.us, FeedBurner, acesso por celulares, palm-tops e dezenas de outros serviços e produtos e coisas que estão caracterizando esta nova maneira de lidar com a informação. Interfaces como estas mudaram a maneira com que nós acessamos, armazenamos e compartilhamos a informação. Este é o ponto. Por isso que todos estão chamando a web 2 de “a web como plataforma”. Mas eu não quero falar aqui o que é Web 2 coisa que outros já falaram,e sim sobre como desenvolver sites para a web 2.

Criando para a web 2

Acreditem ou não mas um código semântico, acessibilidade e conteúdo separado da apresentação é a base de tudo isto. Não pense em acessibilidade como algo específico para deficientes visuais. Tenho pensado mais em acessibilidade considerando que é um maneira perfeita de não obstruir informação para nenhum spider ou mecanismo de busca do que em pessoas com deficiências visuais. O resultado disso é um site mais acessível para todos, tanto pessoas quanto user agents.

Se você ler as documentações de como o Google e o Technorat “enxergam” um site, você vai perceber que eles são deficientes visuais e nunca vão “ler” o que está escrito em uma imagem ou ver um site da maneira como você as vê. É preciso dar significado para o seu conteúdo.

Semântica é significado

Recentemente eu escrevi aqui sobre Microformats e em como estes princípios resgataram e ampliaram conceitos que já existem desde o CSS1 – note que além de nomes de classes serem utilizados para chamar um seletor em CSS , elas também são utilizadas “para finalidades gerais processadas por user agents” – utilizando nomes de classes padronizadas para ampliar a descrição da informação. É preciso lembrar também que as classes em um primeiro momento são “sem significado” definido (ao contrário das tags de XHTML) tanto quanto tags em XML. Os princípios que os Microformats estenderam, foram definir profiles e padrões utilizando nomes de classes para colocar ordem em um mundo sem significado. Ou seja, foram definidos um punhado de soluções microformats para problemas específicos, como licença , exibição de datas de eventos, informações pessoais , redes de relacionamento etc.

Bom, o segundo passo para entender isso é como user agents podem interpretar essa informação. O Technorati é a maior autoridade que existe em indexar blogs hoje. Ele é um mecanismo de busca que possui um algoritmo similar ao do Google (só que exclusivo para blogs), que avalia a relevância de um site baseado na relevância semântica dele, dentre outros pequenos detalhes é claro. O Developers Wiki (o endereço não está mais disponível) é uma área criada para os desenvolvedores de sites obterem informação sobre codificação e como deixar seu site mais legível para o próprio Technorati. Se você fizer uma busca por “microformats” nesta área, você verá dezenas de documentos falando sobre soluções em microformats, RankLinks (a página não existe mais), hReviewFeedback (a página não existe mais) dentre outros. Microformats não é coisa para o futuro, é realidade no presente. Basta saber usar.

Refletindo conceitualmente sobre código semântico, o tempo todo em que estamos escrevendo um XHTML, nós estamos descrevendo e dando significado para a informação que estamos inserindo no código. Seja utilizando tags corretamente ou aplicando microformats. Quando fazemos a escolha de usar <h1> no lugar de um <p>, nós estamos informando para user agents como o Google o que cada trecho de código significa. É dando significado para cada trecho de código que permite com que um mecanismo avalie se ele é relevante ou não. Um título qualquer dentro de um <h1> é mais relevante do que em qualquer outro lugar, e assim por diante.

Até a data em que eu escrevi este artigo, o meu texto sobre Microformats no Google se encontrava em 5º lugar no mundo entre 736.000 documentos e em primeiro lugar se você fizer uma busca em português. Se você digitar “target blank”, entre 10.500.000 eu estou em terceiro lugar. Como meu texto sobre Target Blank conseguiu ser mais relevante do que mais de 10 milhões de outras páginas?

Se você está preocupado com Web2, esqueça o termo completamente e estude web standards, acessibilidade e Microformats. Se Web 2 está relacionada com a informação, estes são os pilares para criar um ambiente que a priorize em primeiro lugar.

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O Élcio escreveu um ótimo texto sobre Web2 que complementa este como uma luva! Não deixe de ler. Web 2.0 é no chão.

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  • Fellipe Cicconi

    Uau, chocante a parte do espelho :D

    Não tenho o que discordar do artigo. Escrevi um artigo sobre hCard e em português no Google, demorou 48 horas para tornar-me primeiro.

    Isso que é semântica!!!

  • Eric de Oliveira Cam

    Sensacional, esse artigo é fabuloso… começarei a produzir meu site pessoal hoje (02/01/2006), estou lendo e praticando web standards, acessibilidade e microformats… valew pelas dicas!

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  • Renan

    Muito bom o post…

    na boa, foda!

  • http://www.partiturasencore.com/ Mark de Souza Costa

    Achei muito interessante o conceito de Microformats. Microformats e User Agents são funcionalidades novas pra mim e uma coisa me preocupa bastante nestes dois casos: a falta de padronização por um órgão como a W3C. Acho estranho ficar construindo e estruturando sites com o objetivo de fazê-lo aparecer em buscadores. É como fazer um site só para um browser específico (claro que bons buscadores valorizam um site semântico e que segue os padrões). Nesta visão inicial que estou tendo do Microformats, me parece que seria mais interessante criar novas marcações XHTML se aproveitando da extensibilidade e modularidade do XML, isso poderia até ser visto como um RDF.

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  • Heberton

    Eu gostaria de saber o signifivado do meu nome por favor.

    MUITO OBRIGADO!

  • Jose Lourenço

    Muito interessante.Vou recomendar o seu artigo aos meus amigos.

  • John Opezdol

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