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Como escrever (e sustentar) um bom currículo para vagas de web designer

Por: Henrique Pereira

Tuesday 09 January 2007 às 11:43

Categoria: Pessoal

Acho que o mais importante que este texto pode ter baseado no título é a parte do “sustentar”, o resto é apenas um detalhe. Escrever um bom currículo é sim muito importante, não menosprezo isso, mas sabê-lo sustentar é muito mais. Já tive acesso a dezenas de currículos de pessoas que diziam saber algo e não sabiam. De pessoas que colocavam certas informações que mais assustava do que interessava a quem estivesse analisando. Ouvi de amigos que já viram pessoas não serem contratadas por darem os “sinais errados” no currículo que enviaram. Pensando nisso resolvi escrever algo que pudesse ajudar quem procura emprego e quem está interessado em se tornar um web designer profissional.

O principal a ser sustentado é a parte que trata de conhecimentos. Uma coisa muito importante que todo profissional de TI sabe muito bem é que boa parte do conhecimento vem com a prática, mas ninguém quer contratar alguém sem conhecimento e sem experiência. Logo, como as pessoas o adquirem? Praticando é a resposta. Se você não tem muita experiência, procure ler os bons livros, fazer cursos e desenvolver sites de exemplos para praticar e mostrar o que você sabe. Se não sabe, corre atrás de XHTML e CSS mas não deixe de estudar usabilidade, tratamento de imagens, tipografia, um pouco (ou bocado) de javascript, procure entender como funciona as tecnologias de server side mesmo que não seja um programador. Saber bem como funciona é diferente de ser programador. Esta lista te daria um emprego inicial, mesmo não sendo especialista em nada ainda.

Ninguém vai te contratar como web designer se colocar no seu currículo que sabe java, php e asp.net. Esqueça se acha que isso vai impressionar. É melhor colocar no seu portifólio sites que possuam programação (se já tiver participado de um projeto assim) do que colocar experiência com banco de dados. Não que seja errado realmente ter conhecimento disso, mas são dois mundos distintos e você tem que escolher um. Todos esperam que você seja “web designer” e não programador e saber lidar com banco não é algo que terá que fazer parte no seu dia á dia. Muitos designers começam como freela, fazendo sites de pequenas empresas, amigos, etc. É uma boa forma de começar mas não deixe de estudar. Falando em estudar, estar na faculdade ou ter se formado é uma boa idéia e seria legal se fosse em algo relacionado com desenvolvimento para web. Estar cursando engenharia de alimentos não vai te ajudar em nada. Mas se você estudou outra coisa mas seu trabalho é muito bom e você demonstra realmente ter conhecimento naquilo que é necessário, acredito que você não vai deixar de ser contratado por causa disso (grita alguém daí se eu estiver enganado).

Ter conhecimento das ferramentas “exigidas” não é tão importante quando saber XHTML e CSS independente delas. Não deixe de enviar seu currículo mesmo que você nunca utilizou o Dreamweaver na vida por exemplo. Seu currículo não vai ser deixado de lado por causa disto, acredite. Mas ser muito bom em um editor de imagens (não tem como fugir disso) é muito muito importante. Espero que você saiba se virar bem. Se pegar um anúncio de empregos onde eles colocam que querem alguém que sabe DreamWeaver ao invés de “excelente conhecimento de HTML e CSS”, é mais fácil ainda pegar a vaga e revolucionar lá dentro.

Usabilidade, SEO e acessibilidade são conhecimentos que vão separar seu currículo do joio, e se colocar que você aplica microformats em seus projetos melhor ainda. Estes tópicos naturalmente já te separa do primeiro grupo de profissionais e é difícil ter chegado aqui sem nenhuma experiência. Sobre usabilidade, uma das melhores formas de provar isso é no seu próprio trabalho. Não adianta citar a palavra mágica se não tiver algo na prática para mostrar. Leia, estude e pratique muito. O mesmo vale para acessibilidade do seu HTML. É outro assunto que precisa correr atrás urgente se ainda o fez. E SEO é outra coisa que, mesmo que dê para dar uma olhada no seu código de HTML, seria melhor se fosse exemplificado. Para isso, seria bom que tivesse um site. Seria melhor ainda se digitassem apenas seu primeiro nome no Google e seu site pudesse aparecer em primeiro.

Manter um blog é algo que todo profissional antenado deveria arriscar. Blogs revelam muito sobre o tipo de profissional que você é, principalmente ser for sobre tecnologia. Blogs revelam se você sabe escrever, se é antenado em oposição a ser apenas alfabetizado. Se não sabe escrever é melhor que aprenda. Ninguém espera que você seja um Shakespeare, mas que pelo menos não seja alguém que não sabe se expressar bem com palavras. Talvez você está se perguntando o que isso tem haver com uma vaga de web designer. Mas saber se expressar bem demonstra que você é leitor de alma ou alguém que leu o último livro no primeiro grau. Há mais chances de você conseguir uma vaga demonstrando que é leitor não somente de livros técnicos do que o oposto.

Ainda sobre ter um blog, é nele que você vai colocar suas experiências profissionais, seu próprio portifólio. Tenha uma página separada para mostrar o que você já fez e os projetos que participou. Mesmo que nenhum tenha sido remunerado e que você ainda não tenha experiências profissionais formais, desenvolva sites de exemplos para demonstrar os conhecimentos que você possui. Isso é muito importante. Colocar referências onde você pode ser encontrado como Flickr, Orkut, lista de feeds ou OPML, Devian art etc, pode ser de interesse de algumas empresas e outras não. Mas se no seu orkut você fizer parte de comunidades como “sou nazista e odeio negros, homossexuais, nordestinos e mulheres” ou “sou cleptomaníaco, e daí?”, isso pode selar destino profissional pra sempre. Tome cuidado com isso.

Sobre o seu “design” também tem que ser legal, sem dúvida. A teoria é importante mas saber fazer é mais. Basta bater o olho no trabalho de alguém para saber se ele sabe trabalhar com cores ou não. Se somente sua família disse que as coisas que você faz na vida são “bonitas” e “legais”, desista. É interessante que você se aproxime de outros profissionais para avaliarem seu trabalho e ter um constante feedback. Faça parte de fóruns, listas e comunidades de web designers para colocar seu trabalho à prova se você não tem contato direto com outros profissionais. Design para web é muito diferente de impressos, por mais que você acredite que não. O tamanho dos elementos, a disposição etc, são completamente distintos. Um site é feito para “usar” e “navegar”, e isso é óbvio no primeiro contato.

Agora sim sobre o currículo propriamente dito. Se você está atrás de uma vaga para web designer, colocar que possui curso de Microsoft Word e Excel só vai demonstrar que você não sabe nada. Muito menos que tem curso de Windows e digitação. Isso vai revelar que você tem mais preocupação em convencer o RH de que você sabe usar um computador do que mostrar que você é um web designer competente. Deixe de fora do currículo aqueles empregos que não estão relacionados à vaga. Se você entregou pães na padaria da esquina até seus 18 anos ou trabalhou como engenheiro de aeronaves, colocar essas experiências profissionais não vão te ajudar a conseguir a vaga. Coloque somente experiências de trabalho como web designer. E se sempre trabalhou em casa como freela, coloque os sites que você mais se orgulha.

Seria legal que o mesmo currículo que você enviasse impresso (se for o caso) estivesse disponível online também. Coloque essa informação no topo do currículo informando que todas as urls na versão impressa estão facilmente clicáveis na versão digital que você deixou disponível na web. Se ao invés de currículo você preencher um formulário no site da empresa, coloque nas observações o endereço para o seu currículo e/ou portifólio, não se esqueça disso.

Informações falsas e mentiras sempre serão descobertas, acredite. E isso pode te manter bem longe de um emprego por um bom tempo se chegar a ser contratado e tiver que ser despedido por informações falsas. Se não sabe algo, não coloque. É melhor do que mentir. Saber uma língua estrangeira como o inglês é muito importante porque todos os bons livros e aqueles que realmente fazem a diferença para profissionais avançados estão em inglês. Se quiser ir longe não será possível sem o segundo idioma.

Tem mais alguma coisa que acha que deveria estar aqui? Vamos trocar experiências!

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Existem 21 comentários para “Como escrever (e sustentar) um bom currículo para vagas de web designer”

# 1° Érico Oliveira Tuesday 09 January 2007 às 12:17GMT

Henrique, por um acaso você não teria uma indicação de livro ou curso online sobre javascript? Estou precisando aprender um bocado. Obrigado. :)

# 2° Camilo Tuesday 09 January 2007 às 13:18GMT

Muito interessante o texto.

Com o tempo fui percebendo as coisas que você escreveu.

Trabalhei com uma menina que colocou no currículo que além de ser designer sabia ASP, ASP.Net e etc…
Nem Photoshop ela sabia…completou um mês e foi mandada embora.

Eu que em tese sabia menos que ela estou trabalhando até hoje.

Sinto falta de um portfólio digital pra conseguir uns freelas, além de melhores oportunidades de emprego. Mas já estou elaborando um e deve ficar pronto em breve.

Obrigado pelas outras dicas!

# 3° Ana Claudia Tuesday 09 January 2007 às 15:38GMT

Excelente artigo, não sou web designer, sou progrmadora, mas me simpatizo bastante com a area, eu gostaria de me especializar em design.

# 4° Peterson Ramos Tuesday 09 January 2007 às 19:55GMT

Achei seu texto muito bom e de grande interesse para quem esta na faculdade e para os já formados como eu que já estou a 2 anos no mercado.

Várias vezes já vieram me perguntar o que é preciso fazer para virar webdesigner? Se vale apena fazer um curso no INFNET ( um dos cursos mais caros e reconhecidos aqui no Rio de janeiro) e quais programas aprender.
A minha primeira resposta é: Não é porque você tem uma chave de boca numa mão e uma de fenda na que você vira mecânico. Que programas sã o feramentas que você usará para exercer a profissão mas não necessariamente o tornarão um bom profisasional. De nada adianta saber todos os filtros do photoshop se nã o sabe como aplica-los.
Que antes de mais nada você precisa se tornar um designer entender de harmonia de cores e quando usar esta ou aquela tipografia e etc.

Muitos acreditam que se fizerem um curso de flash se tornarão webdesigners o que é errado. Você primeiro precisa entender de mecanica para depois saber o que vai fazer com a chave de fenda.

Um abraço

# 5° Rafael Oliveira Tuesday 09 January 2007 às 18:17GMT

Uma coisa que eu li em um outro lugar sobre currículos nessa área, é que seria interessante colocar alguns livros, os de maior destaque, que você tenha lido. Lí isso no maratz.com.
Embora você tenha dito que é interessante demonstrar que é leitor, não especificou se deveria incluir alguns no currículo.

Minha principal falha, pelo menos eu acho que seja, é não saber JavaScript. Eu até consigo criar coisas básicas, como validar um formulário e modificar uma coisa ali e aqui, mas entende-lô – efetivamente – ainda não. É um dos meus principais focos no momento. Se você tiver algum livro para recomendar, ficaria grato. =)

Estou fazendo o meu com o uso do hResume.

Até!

# 6° chicosilva Wednesday 10 January 2007 às 10:24GMT

Passar aqui é sempre muito bom !!!
Isso ajuda a “amadureçer” a profisão designer e aprender q o importante é se especializar !

# 7° webber Thursday 11 January 2007 às 04:21GMT

Olá Henrique,

Parabéns por mais um ótimo texto ! Gostaria apenas de enfatizar a importancia do conhecimento em outras “areas”. Por exemplo: webdesigner com bons conhecimentos em programação. Apesar de programador(ASP, ASP.NET,PHP…), já trabalhei na parte de interface. Durante este período ficou evidente o ganho de produtividade da equipe quando havia este “entrosamento” entre os profissionais, que além de aumentar o rítimo de trabalho, diminuia (muito) as habituais “picuinhas” programadores X designers.

Você foi direto ao ponto ! Estudar ! Acredito que a maior fonte de conhecimento são os livros, especialmente em inglês. Apesar da faculdade, e de diversos cursos, percebi que grande parte de meu conhecimento veio daí. Aliás, os últimos treinamentos que fiz (em escolas reconhecidas) foram superficiais. Uma espécie de pincelada geral. Pode até servir como uma porta de entrada, mas fugir de passar muitas horas debruçado sobre os livros é impossível. Vale ressaltar que ser autodidata é uma característica procurada por muitas empresas.

[]‘s

# 8° Rafael Paranaíba Queiroz Thursday 11 January 2007 às 13:56GMT

Olá Henrique.
É a primeira vez que acesso o seu blog, mas gostaria de parabenizá-lo por este, que é de grande utilidade para quem, assim como eu, deseja se manter informado sobre o assunto.
Embora eu mantenha grande interesse por webdesign, meu conhecimento ainda é bem restrito, tenho certeza de que suas dicas serão muito úteis para mudar isso.
Abraços.

# 9° Carlos Eduardo Saturday 13 January 2007 às 11:20GMT

Como acha que consegui meu emprego?

Dessa forma.
Possuo um blog, que mantenho sempre atualizado, escrevendo sobre Web Standards à partir do meu ponto de vista, sempre falo sobre “novidades” da área, além de possuir meu currículo online (com Microformats, claro) e portfolio, tanto de sites, como impressos e marcas.

Acho que sintetiza bastante a idéia que você transmitiu e, com certeza, compartilho dela.

Ótimo texto.

# 10° Maicon Junches Monday 15 January 2007 às 10:49GMT

Esse texto faz uma diferença, até mesmo para quem já tinha essa idéia e com o tempo foi esfriando e para quem não tinha.

# 11° daniel Tuesday 16 January 2007 às 00:55GMT

muito bom o texto, é complicado mesmo fazer um currículo de webdesign, a gente nunca sabe o que o cara quer, mas eu acho que colocar coisas como “conhecimento em mysql, php, etc” é importante, e se o cara quiser um cara que “assobia a chupa cana”? ehehehe, tem muito disso, ainda mais aqui na bahia.

# 12° Paula Karine Rodrigues Menezes Sunday 04 March 2007 às 21:12GMT

estou cursando facudade de hotelaria e fazendo curso de inglês

# 13° Maria Dalva Wednesday 14 March 2007 às 03:10GMT

Excelente texto! Parabéns!

# 14° Emily Wednesday 04 April 2007 às 21:20GMT

Gostei muito dos seus argumentos!
Tenho apenas 17 anos, estou fazendo um curso de Web Design na Microcamp, e faço inglês há mais ou menos 5 anos. Gostaria de saber se existi alguma faculdade realmente capaz de suprir as necessidades do mercado na Grande Sp, pois moro em São Bernardo do Campo, vi uma faculdade a Unia, mas não é muito reconhecida pelo menos em tantos outros cursos.
Então peçoa sua ajuda.
Obrigada,

Emily

# 15° edgard rupel Monday 09 July 2007 às 02:54GMT

web designer…nada contra, mas…design gráfico é design gráfico, seja na tela, seja em impressos. acredito que um designer gráfico deve entender que web é apenas mais um veículo para seu trabalho.

# 16° William Tuesday 31 July 2007 às 13:33GMT

Parabéns pelo texto,comecei a visitar a sua página à poucos dias,e gosto muito das dicas sobre web designer!!!!!

# 17° Web Designer Demétrios Martins Thursday 03 April 2008 às 12:39GMT

Sensacional seu post, concordo plenamente com sua opinião. Parabéns pelo texto!

Meu portfólio: http://www.mdesigner.com.br

# 18° Cristiane Cardoso Wednesday 16 July 2008 às 11:48GMT

Excelente artigo!
Não sou web designer! Trabalho com segurança de redes mas é sempre muito bom ler “toques” como estes!
Concordo plenamente!
E não é só na área de Webdesigner! Em toda a área de TI nem sempre formação = capacitação!!!

# 19° Guilherme Mattos Thursday 28 August 2008 às 15:01GMT

Seria mais fácil se você disponibilizasse um modelo de currículo com tudo o que você escreveu no texto aí em cima, só pra clarear mais as coisas.

# 20° Simone Mendes Raimundo Friday 28 May 2010 às 00:28GMT

Olá!
Tenho interesse na área de web designer, recém fiz curso de corel e photoshop, diria que ainda sou bem caloura no assunto. Quais os cursos necessário para se tornar um Web Designer?
Abraço, Simone.

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