Estratégia de métricas parte 2: Google Analytics e a Função urchinTracker
Por: Wednesday 18 April 2007 às 10:18
Este é o segundo texto sobre métricas e agora especificamente sobre o Google Analytics. Aconselho a leitura do texto que precede este antes de continuar. No texto anterior eu defendi a idéia de investir em métricas como forma de obter informações importantes que podem te ajudar a manipular o marketing do seu próprio site. Ou seja, quanto mais informações estatísticas você obter sobre o público que te visita, mais conhecimento para planejar mudanças no seu site você terá. Este texto trata sobre como obter estatísticas de clique sobre determinados trechos do seu site!
Para estatísticas de clique em determinadas áreas do seu site, você até poderia utilizar o “site overlay” (Content Optimization > Navigational Analysis > Site overlay), se ele não fosse horrível. Não é interessante utilizá-lo porque ele não tem a opção de cruzar informações com o botão “Analysis Option” (opções de análise – veja imagem ao lado), o botão mágico que te permite obter várias informações cruzadas de um único dado estatístico. Para contornar isso, existe um macete de levar as estatísticas de cliques para dentro do Content Performance > Top content utilizando a função urchinTracker nativa do Google Analytics. Vamos ver como isso funciona.
Imagine os seguintes cenários: No seu site você possui seu menu de navegação, banners na lateral, no topo ou sei lá onde mais. Possui um mini texto sobre seu site com um link para um “about” com mais detalhes etc. Lá você também aponta para a página de contatos, o mesmo link que está no menu de navegação. Você sabe se as pessoas clicam mais no ítem “home” do menu de navegação ou na logomarca do site para ir até a home? Nem que seja por curiosidade? Qual banner é mais clicado? Se você usa âncoras, como eu uso aqui no Revolução do tipo “ir para o topo”, você sabe o quanto elas realmente são utilizadas? Você sabe quantas vezes um evento importante em javascript é requisitado? Quem clica mais no anuncio “x” ou “y”, os visitantes fiéis ou os paraquedistas do Google? Com uma técnica simples do Google Analytics é possível obter todas essas informações.
No meu site eu mapeei praticamente todos os links “fixos”, ou seja, todos aqueles que não são links inseridos dentro de um artigo. Mas os seus objetivos não precisam ser tão altos assim. Pelo menos, não necessariamente. Eu criei um label para identificar, filtrar e poder comparar estes cliques dentro do Top content do Google Analytics separado do restante do conteúdo. E para cada link eu dei um nome que o descreve da seguinte maneira.
<a href="/index.php" onclick="javascript:urchinTracker('/menu/item_home');">
Home
</a>
No trecho acima entre parenteses (’/menu/item_home’) é o nome que eu criei para mapear exclusivamente os clique no item de menu “home”. A palavra “menu” vai te servir para filtrar depois apenas os cliques relacionados no seu menu. No meu site eu fui mais genérico e tudo que é link possui o label “mapclick” seguido de um nome que descreve o link como por exemplo /mapclick/click_menu_home.
O Help Center do Google Analytics diz que em 48 horas você já começa a obter estes dados. Entretanto, testando em outro site foi possível ler estes dados estatísticos no mesmo dia, apenas com odelay normal de exibição do Google Analytics.
Toda vez que um usuário clicar em um link, banner ou qualquer outra coisa em que você associe o evento onclick a função urchinTracker, o Google Analytics vai interpretar o label que você criou (como no exemplo acima “/menu/item_home”) como um pageview! Assim será possível filtrar e obter dados cruzados com o Analysis Options. Para filtrar apenas os cliques que você mapeou no site site vá até Content Performance > Top content e digite apenas “mapclick” na caixa “filter” (veja imagem ao lado) e clique em mais e depois no sinal de menos quando este aparecer. Não sei porque, mas isto me parece um bug do Analytics!
Após encontrar o item que te interessa, clique em Analysis Options > Cross Segment Performance (veja imagem ao lado) e selecione um item para cruzar as informações de clique que você já possui e saber por exemplo, quais os browsers mais utilizados pelas pessoas que clicam no seu banner “x” na lateral. Simples assim, o resto fica para sua imaginação!
Como montar uma estratégia à partir de dados que você já tem
Certo, agora que você tem todas estas estatísticas, você precisa aprender a “ler” e “interpretar” estes dados. Simplesmente tê-los por perto não vai te fazer um grande estrategista de marketing. A primeira coisa que você deve pensar é em cruzar os dados. A criatividade e a lógica nas perguntas que você vai fazer é o que vai te permitir transformar este monte de dados brutos em informação!
Veja algumas perguntas interessantes. A quantidade de pessoas que clicam no menu contato corresponde a quantidade de e-mails de contato que são enviados? A quantidade de cliques que o botão “enviar” do seu formulário de contatos recebe corresponde com a quantidade de e-mails que você recebe do seu site? Quais dos banners recebe mais clicks? Baseado nisso verifique se o banner que está mais acima é o que recebe mais ou menos clicks. Ou então o maior ou o menor, ou o que é uma imagem ou o que é feito em Flash e assim por diante.
O que um problogger precisa saber é como aumentar a taxa de cliques no AdSense, como aumentar a quantidade de assinantes do hosting ou de qualquer outro serviço agregado etc. O objetivo final é aumentar o lucro certo? Para isso você precisa saber qual é o melhor ambiente para se obter isso. Faça testes, explore possibilidades e obtenha estatísticas disso. O Adsense no seu site te dá mais retorno acima ou abaixo do título do post? No meio ou no fim do artigo?
Antes destes dados e da estratégia de métrica que eu montei para o meu site, eu achava que 100% das pessoas que acessavam minha página sobre a DreamHost era de usuários fiéis que assinam o feed do meu site e conhecem meu trabalho. Depois eu descobri que 65% das pessoas que se interessam pelo meu texto são de pessoas que vieram do Google. Por isso, tornei o texto lá mais “simples” e fácil de entender pensando em alguém que não seja meu “público direto” e que não esteja acostumado a ler sobre desenvolvimento. Por isso eu até montei uma FAQ com as perguntas mais frequentes que eu recebo por e-mail principalmente dos paraquedistas. Eu não “tive uma idéia” de fazer isso, eu apenas analisei meus dados e comprovei que seria o melhor a ser feito. Ou seja, nos últimos tempos a quantidade de pessoas que assinaram a DreamHost e utilizaram o meu promocode aumentaram. Quer ROI mais claro do que este?
No meu site, e isso é estatística mundial, é comprovado que as pessoas que clicam em anúncios como o AdSense ou o UOL afiliados são os usuários que vem dos mecanismos de busca. Por isso eu implementei o Landing Sites, um plugin para WordPress que me permite inserir conteúdo específico e diferenciado nas páginas somente quando um usuário vem de mecanismos de buscas. Como eu sei que basicamente só os usuários que vem dos mecanismos de buscam clicam em anúncios assim, eu não quis poluir o restante do site com este tipo de publicidade. Mas antes que alguém grite daí, isso não significa que você tem que implementar ou que você vai chegar a conclusão de que deixar o seu AdSense exclusivamente para usuários vindos de mecanismos de busca seja a melhor solução. Tudo depende do seu interesse como eu falei anteriormente.
Há muito mais a ser explorado relacionando estatísticas com ações diretas de marketing. E há muito mais também a ser detalhado sobre o Google Analytics. Mas como isso aqui não é um livro, nós podemos agora pelo menos conversar mais abertamente sobre métricas! Se tiver alguma questão ou sugestão, escreva aqui. Quem sabe eu não escrevo algo à respeito!
Tags: Google Analytics Marketing ProBloggers ROI métricas urchinTracker
Estratégia de métricas parte 1: Métricas para ProBloggers
Por: Tuesday 17 April 2007 às 09:17
Este texto e o próximo faz parte dos meus estudos e pesquisas em entender e analisar as diferentes variáveis que faz com que certos sites obtenham um êxito muito grande naquilo em que se propoe ser e uma tentativa de classificar as diferentes variáveis que influenciam nisso. Obviamente métricas é apenas uma parte disso. Este primeiro texto tem o objetivo de apenas convencer você dos diferentes aspectos relacionados com a otimização de um site. Antes de mais detalhes, me deixe falar de 2 premissas:
1 – Há várias e várias variáveis que podem influenciar na performance (e no sucesso) do seu carro de formula 1 / blog. Estes textos só vão considerar algumas. Mas se formos comparar, o motor do seu site é seu conteúdo e ele será o responsável pela maioria da “velocidade” total que seu site poderá obter. Por conteúdo entenda qualquer coisa que você tem pra oferecer e que fará com que as pessoas procurem o seu site. Seja seus textos ou produtos. Alguém se lembra do que eu escrevi sobre Pareto? Minha tese lá e aqui é, além de investir no conteúdo (motor) do seu site, é importante que você tente otimizar os outros aspectos e variáveis dele. Tente se perguntar porque os engenheiros dos carros de fórmula 1 gastam tanta grana fazendo estudos de permormance em pneus, aerodinâmica, materiais leves, tipos de combustíveis etc, mesmo que já tem em mãos um “motor” campeão. Ou seja, premissa número 1: Sem um motor decente seu site será amador e nada do que você possa fazer na lataria vai fazê-lo andar mais rápido! Ao mesmo tempo, se ja tem um motor eficiente, investir nas outras variáveis será um diferencial cada vez maior entre os outros competidores.
2 – Premissa de número 2: Leia a primeira premissa novamente! Só mais uma vez antes de ler o restante do site. É sério!
Agora, métricas!
Métricas no contexto que nos interessa, é o estudo de mensurar diferentes variáveis de um site como visitação, páginas mais visitadas, quantidade de cliques dos usuários, resolução de telas mais utilizadas, etc. Ou seja, métricas são estatísticas do seu site nas mais diferentes variáveis. Agora, o mais importantes disso tudo será sua capacidade de obter e de transformar estes números em informação útil! Ou seja, utilizar essas informações para construir marketing.
Sou fã do Google Analytics pela facilidade com que eu obtenho as informações que me interessa sobre o meu site. Tem uma interface limpa, direta e fácil de usar. Com o Google Analytics profissionais ou amadores são capazes de transformar certos dados em informação útil para melhorar e ampliar seus próprios sites. Mas ele pode oferecer muito mais cruzando algumas informações e fazendo algumas adaptações no seu site para obter mais dados. Este será o tema do segundo artigo. E o meu conselho para os probloggers é tentar mensurar o seu próprio público para ganhar mais!
ROI e Marketing
Há uma diferença grande entre obter estatísticas de um e-commerce e estatísticas de um blog pessoal. Com exceção do Interney que tem um shopping dentro do próprio blog. Mas ambos (o blog e o e-commerce) possuem objetivos diferentes logo o retorno de investimento (ROI – Returno Of Investment) a ser mensurado e o marketing a ser planejado também são diferentes. Eu sei que muitos querem colocar ROI em tudo, mas há mais contextos reais e plausíveis de se obter estes dados em um blog do que se imagina. Tudo depende dos seus objetivos e interesses pessoais. No stress!
Se você é um problogger ou pretende ser um, você talvez seja guiado exclusivamente pelos seus instintos, ou por um planejado pessoal que tem dado certo na vida e no seu site, ou por um benchmarking sem pensar muito no que está fazendo (você apenas sabe que está dando dinheiro), ou por nenhuma dessas opções anteriores. Cada um tem uma receita de sucesso pessoal. Mas ainda existe a hipótese de você enxergar seu site como o “seu produto”, tentando calcular seu investimento, planejar o aumento de visitantes baseado em estatísticas do que eles mais procurarm no seu site, melhorar suas keywords, melhorar a usabilidade do seu site baseado em estatísticas de clicks e assim por diante.
Há pessoas que vivem e ganham dinheiro e muito dinheiro na web sem pensar nestes termos? Sim, com certeza. Há pessoas que vão continuar ganhando dinheiro sem nunca pensar em usabilidade, em marketing, em ROI, em web standards e qualquer outra dessas coisas? Com certeza. E muitos desses caras já pararam de ler este texto no primeiro parágrafo, tenho certeza. Mas o que eu quero dizer, e segundo todos os profissionais envolvidos de alguma forma com marketing, é que os ganhos desses sujeitos podem ser ainda maiores se mudassem seus paradigmas e demonstrassem algum interesse em ampliar seus próprios horizontes. Ninguém fica mais pobre por ampliar os próprios horizontes certo?
Um fato completamente compreensível é o problogger não querer mexer em time que está ganhando. Se o dinheiro está entrando não há porque buscar outros horizontes. Mas há também as histórias de sucesso de empreendimentos da web como a Camiseteria e o Charges.com que de alguma forma investiram em “marketing” e não é preciso ser nenhum expert para sacar o quanto ambos os negócios parecem ser bem profissionais e bem sucedidos na vida. E com certeza eles não chegaram onde estão hoje com medo de mexer em time que está ganhando.
Com o Google Analytics é possível você investir em um tipo de marketing “de graça”, sem pagar publicitário, especialista em SEO ou qualquer outro tipo de marketeiro. Apenas seguindo o estilo “do it yourself”. Fazer marketing aqui neste contexto, é planejar seu site baseado em informações que você possui do seu público, fazendo alterações com o objetivo de lucrar mais, deixando o usuário mais satisfeito. Uma das estratégias de métricas que eu montei para o meu próprio site é tentar conhecer onde os usuários clicam. Eu preciso saber qual dos banners é mais clicado, quero saber quantos do total de visitantes que recebo diariamente utilizam a busca do meu site (de onde eles vieram e quais browsers eles utilizam), o que eles mais buscam, de onde eles vem e tentar planejar melhor a usabilidade do meu site, a forma com que as informações estão dispostas, melhorar o conteúdo e tudo com o objetivo de melhorar a experiência do usuário aqui dentro, e é claro, aumentar meus lucros. Até aqui foi só teoria, no próximo texto vou falar sobre como obter mais informações do Google Analytics com algumas pequenas adaptações no seu site.
As 10 features mais lucrativas que devem estar presentes no redesign do seu e-commerce
Por: Monday 19 March 2007 às 00:19
Esta semana Jacob Nielson, o guru da usabilidade, escreveu um texto chamado “10 high-profit redesign priorities” com 10 características que ajudam a aumentar a lucratividade do seu negócio simplesmente re-organizando (re-arquitetando) a informação do seu site. Segundo Nielsen, são as 10 táticas com maior retorno de investimento (ROI). Abaixo segue em tópicos os itens levantados por Nielsen e alguns comentários pessoais.
1 – Newsletters: Fácil de implementar, permite com que seus clientes se lembrem de você mesmo quando eles não querem comprar. Você só precisa se cuidar para não enviar 10 newsletters por dia e nem ficar sem enviar nada por mais de um mês! Ambas as situações devem ser excluídas da sua lista de hipóteses.
2 – Páginas de produtos informativa: Dê detalhes sobre os produtos, não os deixe apenas com o nome e o preço. Pessoas deixam de comprar simplesmente porque o produto que encontraram não tem informação suficiente.
3 – Fotografias com qualidade: Colocar fotos em formato de thumbnail que permite o usuário ampliar e ter uma foto decente e de qualidade faz toda a diferença em uma página de produto. Esta tática trata de encher os olhos do consumidor com aquilo que ele pretende adquirir.
4 – Diferenciação e comparação de produtos: Alguns produtos possuem preços muito discrepantes mas parecem ser a mesma coisa. Outros possuem a mesma aparência mas possuem configurações completamente diferentes. Encontrar uma forma do usuário comprar produtos similares permite com que ele possa escolher o produto mais adequado. Um site que implementou esta feature de modo muito inteligente é o GSM Arena, que facilita a vida do usuário ao comparar diferentes caracteristicas entre celulares.
5 – Facilite a segunda compra: Algumas pessoas gostam de comprar a mesma coisa, principalmente quando se refere a suprimentos e acessórios. Porque não disponibilizar uma área onde ele possa facilmente fazer um mesmo pedido feito anteriormente, distante apenas de um clique?
6 – Texto simplificado: Reescreva seus textos enxugando o desnecessário e tornando a informação mais clara. Escrever para web é diferente de escrever para outras mídias. É preciso ser conciso, direto e claro. Prefira textos mais informativos e menos marketeiros!
7 – Facilite a vidas das pessoas mais velhas: Cada dia mais cresce o número de consumidores da terceira idade na internet. Pessoas mais velhas tendem a ser fieis consumidores de um local onde eles se sentiram à vontade e não encontraram dificuldade de comprar. Por isso reconsidere sempre a usabilidade do seu comércio eletrônico e pense em todos os tipos de consumidores possíveis. Quando falamos em retorno de investimento, precisamos pensar em termos estatísticos. Ou seja, geralmente as pessoas da terceira idade que compram pela internet são das classes A e B com alto poder de compra, com boa educação, não pesquisam preço e só querem se sentir à vontade no seu site. Se conseguir essa façanha você conseguirá clientes fiéis!
8 – Lista de pedidos: As famosas wishlists e gift certicates, que permite com que as pessoas montem listas de casamento, listas de desejo, listas de aniversário e o que mais acharem apropriado. Pessoas costumam comprar para elas mesmas aquilo que encontram na wishilist de outros blogueiros que possuem o mesmo interesse que elas. O que pra loja acaba gerando lucro de qualquer maneira.
9 – Busca: Muitas pessoas acham as buscas que te forçam a escolher uma “loja” ou uma categoria do site muito chato. Muitas vezes eles nem sabem em que categoria se enquadra aquilo que elas procuram. Uma busca decente que te ajude a encontrar a informação que você precisa faz toda a diferença para o usuário leigo. Um dos resultados de busca que eu mais gosto é o do Buscapé que traz uma lista de categorias onde o que você procura pode estar e um resultado em negrito que sugere maior relevância. Lá você tem a opção de fazer uma busca mais avançada ou não.
10 – Teste de usuários: Este parece estúpido mais é um caso básico: Teste com usuários, veja se realmente funciona e se uma pessoas real consegue comprar com facilidade no seu site. Eu já fui fechar um pedido na loja da Abril certa vez e deu erro de conexão ao banco! Tentei dois dias depois e o mesmo erro ocorreu. Coisas assim fazem com que um consumidor nunca mais retorne no seu site.
Com certeza existem muito mais features interessantes além destas 10 levantadas por Jacob Nielsen. Comentários dos consumidores nos produtos com certeza é uma outra forma de aumentar as vendas e que tem um grande poder de influenciar outros consumidores. Categorizar as lojas por características dos produtos é outra forma de facilitar a vida do usuário ao procurar produtos com características específicas como máquinas digitais entre 5 e 6 megapixels etc. E você, tem alguma sugestão de feature para e-commerce?
Tags: Arquitetura da informação IA Newsletter ROI Usabilidade e-commerce wishlists
Você utiliza algum tipo de documentação em seus projetos para web?
Por: Sunday 4 March 2007 às 22:4
Eu não faço a mínima idéia de quantos leitores que passam por aqui diariamente trabalham com algum tipo de documentação ou fluxograma nos projetos em que participam. Este texto é uma espécie de pesquisa para descobrir isso. Quais os tipo de documentação você lida e em que contextos?
Pessoalmente nos últimos tempos eu comecei a “arquitetar a informação” de um projeto de forma mais gráfica utilizando diagramas, em específico o diagrama de Garrett. Tenho participado também do processo de análise (mesmo não tendo formação em ciências da computação ou algo parecido) fazendo o levantamento de requisitos funcionais e não funcionais, descrevendo o que o sistema terá, fluxos de navegação e interação do usuário etc (posteriormente nos diagramas), em equipe, junto com o programador.
Neste meu recente contexto, apenas eu e o Flávio Kaminisse (o programador) somos a “equipe”. Mesmo que ambos tenhamos especialidades diferentes, os questionamentos mútuos contribuíram para dar soluções ao nosso “problema”. Juntos nós fizemos o levantamento destes requisitos, documentamos os campos do sistema e posteriormente ele sozinho, escreveu um documento de regras de negócios dentre outros específicos para que os futuros programadores que venham a trabalhar no projeto não se sintam perdidos. Mas o que eu percebi de vantagens nessa brincadeira, foi o quanto participar desse processo inicial em equipe foi fundamental ao evitar erros futuros, ao detalhar trechos complexos e requisitos não funcionais do sistema que teriam algum impacto no desenvolvimento.
Após todos estes detalhes da análise e de requisitos é que eu montei um diagrama com a interação do usuário e adicionei pequenos comentários nele, (construído no Visio ) em cada “página”, com os tipos de campos e detalhes que seriam úteis se algum outro designer chegar a colocar a mão no meio do processo de desenvolvimento. Coloquei alguns comentários também do tipo, “isto deve ser em formato de tela modal”, ou então “deve utilizar o script tal e usar máscara nos campos”, e assim por diante.
Existe o documento perfeito?
Concordo com Fahey ao dizer que não existe o santo graal da arquitetura da informação em termos de documentação. Não só na arquitetura mas em desenvolvimento de software ou análise ou o que for. Não existe um documento “perfeito”, o que existe são soluções perfeitas para contextos específicos, nem demasiadas e nem pobres. Em um site pequeno, com apenas um formulário de contato de “programação” não vale a pena perder tempo fazendo levantamento de requisitos, análise, etc etc etc… No máximo um documento de MindJet com o que cada página tem que ter de informação é mais que suficiente.
Quais os contextos?
Os contextos para documentação podem ser muitos e serem influenciados pela experiência e maturidade da própria equipe. Qual é o nível de detalhamento destes documentos? Alguém conhece o Getting Real já citado pelo Walmar? Há projetos em detalhes exagerados que chegam a se tornar fetiche para alguns, e para quem aplica o Getting Real em tudo pode faltar detalhes “teoricamente” de extrema importância.
Outro contexto do resultado final destes documentos é a especialidade de quem os cria e os objetivos finais. Um analista sem nenhuma experiência com programação terá uma visão de um documento de análise completamente diferente de um programador experiente que só agora está começando como analista. Um arquiteto da informação que não sabe a diferença em HTML e CSS (exagerando um pouco) vai gerar um diagrama de interação ou detalhamento diferente de um profissional que era (ou ainda é) web designer com muita experiência em programar no client side . Um documento de levantamento de requisitos tem objetivos completamente diferentes de um diagrama de interação do usuário, e assim por diante.
Acredito que o contexto e o bom senso do desenvolvedor é que vai guiar e levar um projeto ao sucesso, contemplando boa produtividade dos envolvidos, evitando surpresas eretrabalho durante o desenvolvimento, obtendo resultados elegantes, etc. “A documentação foi criada para o homem ou o homem foi criado para o documento?”, diria Jesus se fosse um gerente de projetos hoje! Mesmo que o ROI final não consiga mensurar certas coisas, os envolvidos no projeto vão saber no final o quão fácil de mexer no código de um projeto grande, o quão otimizado ele ficou, etc.
Por isso eu te pergunto: Como você documenta seus projetos? Quais os contextos em que isso ocorre? Quais as exceções? Usa alguma ferramenta específica? A quantidade de comentários neste texto vai revelar se apenas uma minoria trabalha com algum tipo de documento, ou então que essa minoria é ocupada demais para deixar um comentário aqui para iniciar um diálogo, ou então que eu escrevi um texto longo demais…! Se quiser contribuir escrevendo no seu próprio blog e não aqui nos comentários, sinta-se à vontade! Eu posso linkar você aqui neste texto! Não estou dando nenhuma pen drive para os melhores textos mas um link para o seu pagerank está garantido se você contribuir!
Mais…
Princípio de pareto: A teoria 80/20 aplicada ao desenvolvimento de web
Por: Tuesday 12 December 2006 às 06:12
Sou fã do Yahoo. Isso é uma coisa que não se ouve muito por ai, geralmente o bam bam bam é sempre o Google. Mas o Yahoo tem umas sacadas para desenvolvedores que o Google não tem, como Hack Day e o Yahoo User Interface Blog. No YUI você encontra muita coisa interessante pouco divulgada por ai. Vi um dias desses um artigo chamado Performance Research, Part 1: What the 80/20 Rule Tells Us about Reducing HTTP Requests relacionando a teoria de pareto com ganhos de performance nos sites. A idéia em si não é nova e nem sua aplicação, ainda assim achei muito pertinente.
Vilfredo Pareto econonista italiano, observou que 80% da riqueza da Itália provinha de 20% da população. O princípio de pareto (também conhecida como regra 80/20) diz que para cada fenômeno, 80% das consequencias vem de 20% das causas. Esta é uma suposição que prega que a maioria dos resultados em qualquer situação é determinado por um pequeno número de causas e este princípio é aplicado em estudos relativos a economia, produtividade, política, desenvolvimento etc e onde mais este “padrão” for observado.
O texto do Yahoo diz que em desenvolvimento de software ou aplicações web, 80% do tempo gasto em um projeto, somente 20% é dedicado a código. Os caras fizeram uma pesquisa de performance no site do Yahoo para descobrir qual o tempo de resposta do browser para requisitar a página no servidor, e fazer o download dela renderizando no cliente como mostra o gráfico abaixo.

Comparando estes dados com outrs requisições e com outros sites, eles viram que do tempo total até um site ser acessado e ser completamente renderizado no browser, de 5% a 38% é gasto em requisitar o HTML e os outros 80% a 90% são gastos em requisitar coisas que estão linkadas no HTML, como imagens, scripts, folhas de etilos etc. Os browsers baixam em paralelo somente 2 ou componentes até solicitar o download dos próximos em alguns casos. E a conclusão lógica é que boa parte dos ganhos de permormance pode estar em reduzir o número de requisições ao servidor. O próximo texto deles vai falar de cache.
Para muitos isso é muito muito óbvio, mas eu só escrevi este texto porque eu acredito que é uma grande defesa aos padrões web se bem explicada e um grande argumento de venda. Quando você desenvolve em camadas separando o conteúdo da apresentação, você tem menos código a ser baixado e parte dele será cacheado. Principalmente os e-commerce que possuem um fluxo de navegação interno maior, e várias páginas são requisitadas ao servidor neste fluxo, boa parte do que for requisitado já foi cacheado como estilos e scripts. Mas muitos ainda são fãs de utilizar scripts dentro da propria página e estilos inline.
Imagine se você consegue reduzir 15kb nas principais páginas de um site com 20 mil acessos por dia. Qual seria a economia de banda no servidor e em quantos segundos no total seria possível melhorar a experiência do usuário no site tornando-o mais rápido? ROI pra você. Isso não justifica você investir nos 20% que corresponde a 80% do resultado de um site leve e otimizado para uma boa experiência com o usuário?
Tags: 80/20 HTML Princípio de pareto ROI Vilfredo Pareto Yahoo
ROI – Retorno de investimento com web standards
Por: Tuesday 5 December 2006 às 11:5
ROI significa Return Of Investment, ou Retorno de Investimento. Já ouviu falar? O Michel vai explicar muito melhor que eu. Mas no geral ROI vem do interesse em saber quais foram os ganhos reais que um projeto obteve, sejam eles financeiros ou não, como aumentar a quantidade de acessos, tornar uma marca mais presente, aumentar o número de clique em um banner tornando-o mais atrativo, tornar a navegação mais rápida e descomplicada. Tudo isto está relacionado com ROI.
Geralmente eu vejo programadores e web designers apenas ligados naquilo que eles acreditam ser de competência exclusiva deles, ou seja, código e nada mais. Marketing, redação, administração é coisa pra não geeks pensam alguns radicais. Acabam perdendo muito do aprendizado do que a web pode trazer e perdendo na compreensão de todo o processo que poderia participar. Uma equipe de pessoas especialistas em áreas diferentes, mas bem interessada em todo o processo desde a venda até a entrega do projeto passando pela análise, ROI, marketing, arquitetura da informação e usabilidade, codificação, programação, redação, QA, estatísticas de acesso do antes e depois, até a publicação, tem mais chances de obter melhores resultados do que uma equipe onde cada um só está interessada “naquilo que está sendo pago para fazer”.
E ROI é uma daquelas coisas que todos os envolvidos em um projeto deveriam se interessar, por que uma parcela do retorno de investimento que você trabalhou, está intimamente relacionada com o seu trabalho em específico e com sua produtividade nele. Ou seja, não interessa se você é um redator, um marketeiro, um programador ou web designer, você procura mensurar o quanto do seu próprio trabalho há ganhos do investimento feito? Lembre-se que nem todos os objetivos de ROI são necessariamente financeiros. Independente da empresa onde você trabalha, pensar em produtividade e ganhos de investimento do seu próprio trabalho vai fazer um bem danado pra você mesmo enquanto profissional.
Um profissional especializado em padrões web, pode contribuir com a análise de ROI de um projeto em partes específicas muito mais do que o pessoal do marketing sozinho. O próprio Steve Krug no livro Não me faça pensar mostra o tanto que melhorar o fluxo de navegação em um e-commerce é capaz de aumentar as vendas consideravelmente. Claro que investimentos altos são proporcionais ao tamanho do projeto, e a maioria dos mortais não tem a oportunidade de trabalhar com uma Amazon, Submarino ou Lojas Americanas da vida que faturam milhões, mas tudo tem um começo. E tornar sites mais rápidos, também não faz parte (ou pelo menos deveria fazer) do retorno do investimento em um projeto do qual você faz parte?
Primeiro você precisa pensar nos seus critérios de avaliação, antes da avaliação propriamente dita, e não depois. Pode parecer óbvio mas muitas pessoas vão se preocupar com estes critérios depois do projeto pronto, o que não adianta muito. Se seu projeto será pegar um site atual e convertê-lo para padrões web veja um procedimento que pode tomar:
Procure por estatísticas de acesso do site hoje. Pegue informações como tráfego gasto com o HTML somente, e depois com imagens e scripts. Obtenha informações do tamanho dos arquivos como páginas de HTML, imagens scripts etc. É interessante ter esses dados separadamente, e nem sempre é fácil obter essas informações. Relacione as informações de quanto o site gasta com servidor por mês baseado no tráfego mensal por dia, semana e mês. O ideal é levantar estatísticas disso em um ano. Veja também o fluxo de navegação que um usuário gasta até chegar ao produto que lhe interessa, até o pagamento. Veja se neste processo você consegue facilitar a vida do usuário e reduzir o número de clique se houver algum tipo de redundância. Procure obter informações de tempo de carregamento das principais páginas do site. Parte dessas informações você consegue obter com o Google Analytics. Todas estas informações devem ser obtidas antes.
Depois que o novo projeto for ao ar, chega a hora de analisar os dados obtidos da aplicação antiga e comparar com as novas que você desenvolveu. Compare os dados e veja o quanto de ganhos reais de performance você conseguiu obter. Parte do retorno do investimento também pode ser mensurado pela empresa desenvolvedora ao avaliar o quão fácil será dar manutenção neste projeto no futuro. Em grandes sites, conseguir reduzir o tempo de manutenção pode ser extremamente lucrativo. Depois de 2 ou 3 projetos muito bem analisados neste sentido, você terá material de sobra para provar por A + B que desenvolver seguindo os padrões é mais lucrativo do que simplesmente um método geek de ver o mundo. E se o seu chefe não está convencido disso, uma razão a mais pra você por conta própria tomar essa iniciativa. E acredite, tem muiiiiiittttttaaaaaa agência web grande por ai fazendo sites como se fazia na década de 90.
Tags: ROI Web Standards

































