Brincando com o XO e o Classmate PC, os laptops do projeto “Um Computador Por Aluno”

Sempre fiquei curioso em poder ter o famoso XO nas mãos, o notebook da OLPC criado por Negroponte, e tive esta grande oportunidade no Campus Party no stand do SERPRO (Serviço Federal de Processamento de Dados). Acabei brincando também com o Classmate PC, versão da Intel e concorrente direto do XO no projeto do governo federal “Um Computador Por Aluno” (UCA). Como escrever tudo o que eu gostaria de lá foi impossível, o máximo que eu consegui foi fazer foram algumas anotações e tirar fotos para, somente agora, poder escrever a respeito dos dois laptops com mais calma.

XO, o laptop de 100 dólares

Foto do XO da OLPC tirada no Campus Party 2008

O XO, também conhecido como “o laptop de 100 dólares de Negroponte” é um projeto de inclusão digital criado por Nicholas Negroponte, pela OLPC, juntamente com especialistas do MIT, com o objetivo de criar um notebook barato para ser utilizados por crianças de baixa renda do mundo todo. A OLPC é uma organização sem fins lucrativos dedicada a pesquisa do laptop e que foi anunciada pela primeira vez no Fórum Econômico Mundial, em Davos na Suiça em 2005. O objetivo do laptop não é ser vendido e sim distribuído gratuitamente em escolas do mundo todo por governos e instituições interessadas.

O laptop terá 500MHz e 128MB de RAM com 512 MB de memória flash, processador AMD, câmera de vídeo, não terá disco rígido mas terá 4 portas USB. Terá capacidade de conexão em redes wireless de banda larga e rodará uma distribuição do Fedora Linux. Ele pesa menos de 1,5 kilo, possui tela de LCD de 7,5 polegadas (19cm diagonal) com resolução de 1200×900px. Todas estas características estarão sujeitas a alterações de configuração quando ele começar a ser produzido em massa. Só esperando mesmo pra ver.

Classmate PC da Intel

Já o Classmate PC parece ter uma filosofia diferente. No Brasil a Intel pretende sim focar em estudantes mas o laptop poderá ser comprado também por consumidores interessados. A CCE e a Positivo são os responsáveis por montar e distribuí-lo aqui no brasil.

O Classmate PC ainda não possui uma configuração oficial divulgada (pelo menos eu não encontrei nenhum, se alguém souber e quiser me atualizar, eu agradeço), mas até agora ele pesa cerca de 1,3 kilo, possui uma capa de couro e uma alça para ser carregado, que dá até um aspecto de “lancheira” escolar. Utiliza memória flash e uma tela de LCD de 7 polegadas, possui conexão wireless e processador Intel Celeron M com clock de 900MHz. Ele já chegou até a ser testado em escolas no Tocantins e parece que teve um retorno positivo. E o custo de produção do Classmate PC chegou a ficar superior se comparado ao custo do XO.

SERPRO

Logo do SERPRO O Serviço Federal de Processamento de Dados (SERPRO), é o responsável pelos testes com ambos os laptops, que ainda estão em análise, e que fazem parte do projeto do governo federal “Um Computador Por Aluno” (UCA). Segundo o SERPRO “o objetivo do programa é explorar o uso intensivo da informática como ferramenta para potencializar o processo educacional. O Serpro, como Empresa Pública de Tecnologia da Informação e Comunicações, integra esta iniciativa.”

E agora José?

Sinceramente não me acho competente o suficiente para tomar partido entre um e outro. Prefiro deixar este trabalho ao pessoal do SERPRO. Os 40 minutos que eu fiquei com cada um, me fez quer ter um de cada. Eu acho até que quanto mais concorrência existir entre empresas para produzirem laptops baratos para o ensino de crianças, melhor. As únicas coisas óbvias que eu penso é que o PC deve ser barato, o esquema de fiscalização para que não haja desvio de laptops da rede pública (comprado pelo governo) deverá ser muito bem planejado (porque isso vai existir, infelizmente), e que seja escolhido uma versão que utilize software livre.

De qualquer maneira acho um sonho lindo um dia ver estas máquinas nas mãos de crianças no Brasil e ao redor do mundo. O desafio governamental é absurdo de grande na minha opinião, que deverá envolver treinamento de professores da rede pública, fiscalizar desvios de verbas e de laptops, desenvolvimento de aplicativos educacionais e muito mais. Vamos esperar e ver quais portas serão abertas para estes dois laptops.

  • http://meadiciona.com/alexandreformagio Alexandre Formagio

    Mas que é uma bela iniciativa é, com certeza.

    E concordo que concorrencia nesta área é boa, pois "força" as empresas que estão no ramo a baratear ainda mais e conseguirem melhorar a configuração, alem de dar opções ao mercado.

    Mas vamos ver se realmente vai dar certo na prática.

  • http://y2kdesign.com Alan Corrêa

    Muuuuito bacana cara! É realmente um sonho ver todos com seus computadores, conversando no msn via wireless :D

    O problema é que por mais que eu não queira "pensar" nisso, logo me vem a cabeça a "CPI dos laptops".

  • Mark de Souza Costa

    O desafio é realmente grande, ainda mais num país que nenhum bem público é respeitado e livros públicos são depredados aos montes nas escolas, fora a corrupção gigantesca que há por ai.

    Só uns alguns exemplos: em Vitória-ES algumas pessoas quebravam o asfalto de algumas avenidas para roubar fios de cobre de tubulações que ficavam abaixo do asfalto, roubavam tampas e grades de bueiro para vender em ferro-velhos, prefeitos desviam dinheiro de escolas a ponto de alunos não terem nem cadeira pra sentar etc, etc, etc.

    Esse projeto é lindo, mas na prática, acho que dificilmente funcionará.

  • Pingback: Revolução Etc. - Brincando com o XO e o Classmate PC, os laptops do projeto “Um Computador Por Aluno”()

  • Andre

    Artigo interessante, mas só duas correções, a tradução da página do XO está desatualizada, ele é vem com 256mb de ram e 1gb de memória flash; e o XO está sendo testado em duas escolas, uma em São Paulo outra em Porto Alegre.

  • http://sergioflima.pro.br/blogs/index.php/sergio-blog/ Sérgio F. Lim

    Opa Henrique!

    Eu diria que temos um projeto pedagógico determinando um hardware (XO) e um projeto de hardware(ClassMate) na carona de um projeto pedagogico!

    De qualquer modo, quando dispostivos de comunicação e produção colaborativa de conhecimentos como o XO chegarem massivamente em nossas escolas, funcionarão como catalisadores da reinvenção da Escola!

    No futuro os historiadores irão separar a história da Educação como antes e depois dos OLPCs (e seus clones).

    []'s

  • André Caldas

    Eu estou com o Sérgio Lima. Acho importante a distinção que ele faz.

    Gostaria de salientar também que me preocupo com o SERPRO sendo responsável por qualquer coisa, já que de educação eles não entendem nada. Se o OLPC é um projeto pedagógico, como o SERPRO vai comparar os dois? Vão comparar o Hardware e o Software de um ponto de vista tecnológico com certeza.

    André Caldas.

  • Marco Túlio d

    O SERPRO é apenas um dos responsáveis por um parte da avaliação dos laptops (hardware/software). O Laboratório de Sistemas Integráveis da Escola Politécnica da USP, o Laboratório de Estudos Cognitivos e o Laboratório de Interação Avançada da UFRGS, a Universidade Federal Fluminense e a fundação CERTI são outros orgãos do Governo envolvidos nesta avaliação que cuidam de outros tópicos como a parte pedagógica.

  • André Caldas

    Marco,

    Fico mais aliviado. :-)

    Onde você ficou sabendo. Você tem links interessantes pra compartilhar?

  • Marco Tulio da Silva

    Olá André,

    Desculpe a demora na resposta. Eu estou por dentro do assunto por que tenho interesse nesse área de pesquisa.

    Vou indicar alguns blogs e sites sobre o tema:

    http://projeto-uca-df.blogspot.com/ http://projetoucapalmasto.blogspot.com/ http://laptopsnaescola.blogspot.com/ http://infoeducativa.com.br/ http://www.pilotosdoprojetouca.blogspot.com/

    Um abraço,

    Marco.

  • Dirce Rafaelli

    Ola Henrique,

    pesquiso sobre o UCA no RS e infelizmente a configuração da versão brasileira, tem um HD de 4 gb…. o que dificulta algumas propostas pedagógicas. Claro que isso tb não é empecilho, considerando que podemos trabalhar nas nuvens… mas ainda nao conseguimos perceber essa mudança nas propostas pedagógicas, como textos colaborativos e redes sociais. Até pq temos outro impasse, a questão da legislação que proíbe menores de terem contas nas redes sociais ou endereços eletrônicos. Quem sabe…..ainda podemos considerar que a interconectividade, a emissão de um outro polo, o sujeito agindo sobre a mídia, podendo desenvolver autoria e compartilhamento se torne uma realidade…