Arquitetura dos padrões web

Depois de ter respirado arquitetura de informação um final de semana inteiro ao lado dos melhores arquitetos de informação do Brasil no EBAI , voltei a refletir um conceito antigo que eu já havia escrito a respeito, que é sobre semântica de (X)HTML e sua relação direta com o usuário. Para os não iniciados nos padrões web (web standards) e em semântica de (X)HTML, é através de meta informação que um web site de conteúdo não restrito consegue ser melhor ou pior relacionado com o restante do macro-sistema inteiro de informações que é a própria web. Complicado? Então vamos dividir as idéias em partes menores.

Mecanismos de buscas

A primeira coisa que você precisa saber é que a cada dia, mais os usuários iniciam suas navegações na web em um mecanismo de busca como ponto de partida. Se você não sabe nada sobre alimentação de cães por exemplo, se você nunca teve um cachorro na vida e precisa descobrir como alimentar o cachorrinho que a sua filha acabou de ganhar de presente da tia dela, mesmo sem o seu consentimento, o que você faria primeiro? A resposta mais óbvia seria ir até o Google e procurar por algo como “alimentação de cães”! Você faria isso porque você não freqüenta e não conhece nenhum site de alimentação de cães de cor. E no Google você vai encontrar.

É este o ponto onde eu queria chegar. O Google, o mecanismo de busca mais esperto que existe, tem lá suas próprias regras para avaliar a relevância dos sites que indexa, e essa relação de relevância pode ser melhor elaborada através do esforço de quem cria o site. E é aqui que entra os padrões web, as boas práticas de desenvolvimento que permite criar uma melhor relação entre a informação compartilhada e consumida por usuários e por máquinas (como os mecanismos de busca) com meta-informação, consumida principalmente por máquinas (robôs de buscas) mas que foram criadas para serem eficientes para pessoas!

Encontrabilidade em micro-sistemas e em macro-sistemas

O arquiteto de informação tem o papel de organizar a informação para o usuário no site de forma que ele fique fácil de usar e fácil de encontrar a informação que ele precisa. Em alguns casos o arquiteto de informação participa também da criação de tesauros e ontologias para relacionar a informação dentro de domínios específicos de significado e as relações entre estes. E isso tudo para melhorar a encontrabilidade (findability) da informação em um web site. Isso também é meta informação.

Um exemplo prático é a aplicação disso no Buscapé, o comparador de preços. Para mim e pra você, refrigerador e geladeira refere-se ao mesmo objeto. Para uma máquina elas são “strings” diferentes, são combinações de caracteres diferentes e sem um tesauro por trás de um sistema para tratar essas relações, um usuário que fizer uma busca por “refrigerador” poderia ficar sem ver nenhum resultado mesmo que o site tenha um monte de “geladeiras” a venda. Faça a busca no Buscapé por ambos os termos para ver o resultado.

Encontrabilidade em macro-sistemas

Se um tesauro é meta-informação fundamental para um micro-sistema, ou seja, para encontrar informações dentro de um site limitado apenas a um domínio, é cada vez maior a competição para se encontrar algo em um ambiente macro, em mecanismos de busca. Neste ponto nós saímos da construção de tesauros e passamos para a meta-informação advinda da semântica de (X)HTML, responsável por classificar determinados trechos de informação, por dar significado, para que os mecanismos de busca possam relacionar melhor as informações compartilhadas em diferentes trechos.

Aqui é criada um outro tipo de relação com o usuário, em um contexto manipulado fora do seu domínio, mas seguindo regras que você pode conhecer e seguir. São os padrões web, as boas práticas de desenvolvimento com CSS, (X)HTML, XML, javascript não obstrutivo, acessibilidade, separação em camadas, etc.

Arquitetura da informação e os padrões web

A informação bem organizada e fácil de achar é fundamental para a qualidade de um site. Mas qual poderia ser a sua contribuição com a informação que um usuário procura se ele ainda nem está dentro do site que você cuidadosamente fez testes de usabilidade, criou tesauro junto com uma busca fantástica? Se você se esqueceu da acessibilidade você já perdeu uma parcela dos usuários. Se você colocou aquela intro feita em Flash também já perdeu mais usuários. E se seu site só pode ser visto para quem tem javascript habilitado e foi feito usando AJAX dos pés a cabeça, já perdeu mais um bocado de usuários e inclusive um usuário vip chamado Google, que se você não sabe, é cego, não enxerga seu design web 2.0, apenas a informação compartilhada. Sendo assim você precisa rever se o seu trabalho realmente tem haver com foco no usuário.

No contexto acima, temos um péssimo exemplo de como a preciosa informação contida no site que você fez, ficou inacessível e mal relacionada com um contexto macro. Ou seja, o contexto agora é um usuário que procura a informação que o seu site possui, mas que ele ainda nem sabe que seu site existe, muito menos que você tem a informação que será mais preciosa a ele. E é aqui que entra a arquitetura dos padrões web e em como você pode “classificar” o conteúdo compartilhado com as tags de (X)HTML mais adequadas em uma espécie de vocabulário semântico controlado. Ou seja, o (X)HTML e suas tags é uma meta-linguagem, meta-informação responsável por dar significado ao seu conteúdo, por dizer o que é um título, o que é um parágrafo, o que deve ou não ter ênfase e assim por diante.

Um site de conteúdo aberto, desenvolvido seguindo os padrões web, tem uma relevância maior em mecanismos de buscas simplesmente por causa do código de (X)HTML. Logo o seu site passa a ter uma relevância maior se comparado com sites que não são “adaptados” a este darwinismo tecnológico que os mecanismos de busca criaram nos últimos anos. Os sites mais relevantes e mais adaptados sobrevivem!

Aos arquitetos de informação

Não estou dizendo com este texto que os arquitetos da informação devem sabem criar relacionamentos em banco de dados, ser especialistas em linguagens de marcação, CSS, javascript etc. O que eu quis apontar são outros aspectos relacionados com o tratamento que a informação recebe e que também está intimamente relacionada com o usuário. Você não precisa ser especialista mas precisa pelo menos saber da existência desse tipo de tratamento da informação e ter uma boa noção para poder acompanhar a qualidade final dos projetos dos quais você faz parte. E se você publica ou é editor de conteúdo, há várias dicas que você deveria seguir para assegurar a qualidade de um site, mas isso já é outra história.

  • http://www.doceshop.com.br/blog Roberto Machado

    Bom, especialista realmente não sou, nem anseio ser. Mas acho que tenho conseguido entender o suficiente para aplicar no meu blog o que você muito eloqüentemente disse. Um abração do Beto.

  • Pingback: University Update - AJAX - Arquitetura dos padrões web()

  • Goldemberg Fonseca

    Sempre muito bom passar por aqui e entender sobre web-tecnologia numa linguagem super acessível. Parabéns.

    Continue sempre assim, Henrique!

    Abraços

  • http://meadiciona.com/alexandreformagio Alexandre Formagio

    Muito bom o texto :)

    Vou te mandar um e-mail ainda hoje com algo que acho que te interessa.

    Abraços

  • Carlos

    No webinsider o artigo sobre semântica eu achei meio torto comparado com os daqui.

    http://webinsider.uol.com.br/index.php/2007/09/11

  • http://www.extremaonline.com EXTREMA ON LINE

    Consegui uma boa colocação e olha que meu site é feito em frame. Não é muito dificil entender o Google.

  • http://project47.viscountbox.com/ Carlos Eduardo

    Uma questão que tenho visto há um bom tempo é que, quando algum "profissional" julga os Web Standards, acha que somente se trata de escrever o código "na mão", além de utilizar CSS.

    Mas os benefícios dados por este caminho são inúmeros. Aliás, os benefícios que o usuário tem quando o desenvolvedor tem esse cuidado com o site são inúmeros, assim como os citados por você no artigo.

    Ótimo texto!.